Distocia de Ombro: Manobras Essenciais para o Manejo de Emergência

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 41 semanas, em trabalho de parto espontâneo há 10 horas. Insinuação em OEA (occipto esquerda anterior). No segundo período do parto, houve a expulsão do polo cefálico, com desprendimento em OP (occipto púbico), sem intercorrências. Após ocorrer a rotação externa, constatou-se grande dificuldade para desprendimento das espáduas, havendo impactação do diâmetro biacromial fetal, entre o púbis e o promontório maternos. O médico assistente alertou a equipe para a situação de emergência e solicitou auxílio de outro profissional habilitado. Realizada episiotomia, mesmo assim o ombro permaneceu impactado. A primeira manobra a ser realizada nessa situação é 

Alternativas

  1. A) hiperextensão das coxas sobre o abdome associada à pressão suprapúbica. 
  2. B) colocar a paciente em posição de quatro apoios.
  3. C) realizar manobras internas para rotação fetal ou retirada do ombro posterior. 
  4. D) recolocar a cabeça fetal para dentro do útero e proceder com a cesariana.

Pérola Clínica

Distocia de ombro → 1ª manobra: McRoberts (hiperextensão coxas) + pressão suprapúbica.

Resumo-Chave

A distocia de ombro é uma emergência obstétrica que exige ação imediata. A manobra de McRoberts, combinada com pressão suprapúbica, é a primeira linha de tratamento, pois aumenta o diâmetro anteroposterior da pelve e desimpacta o ombro fetal, sendo crucial para evitar lesões maternas e fetais graves.

Contexto Educacional

A distocia de ombro é uma emergência obstétrica imprevisível e potencialmente devastadora, caracterizada pela falha na expulsão do ombro fetal após o desprendimento da cabeça, devido à impactação do diâmetro biacromial fetal atrás da sínfise púbica materna. Embora rara (0,2% a 3% dos partos vaginais), suas consequências podem ser graves para a mãe e o feto, incluindo lesões do plexo braquial, fraturas fetais, asfixia e, em casos extremos, óbito fetal, além de lacerações maternas e hemorragia pós-parto. O reconhecimento rápido da distocia de ombro é crucial, sendo o 'sinal da tartaruga' (retração da cabeça fetal contra o períneo) um indicativo clássico. Uma vez diagnosticada, a equipe deve agir de forma coordenada e sequencial, seguindo um algoritmo de manobras. O objetivo é aumentar o espaço pélvico e/ou diminuir o diâmetro biacromial fetal para liberar o ombro impactado. A primeira linha de manejo, e a mais eficaz, é a combinação da manobra de McRoberts com a pressão suprapúbica. A manobra de McRoberts consiste na hiperflexão das coxas da paciente sobre o abdome, o que retifica a lordose lombar, girando a sínfise púbica e aumentando o diâmetro anteroposterior da pelve. Simultaneamente, a pressão suprapúbica (aplicada sobre o osso púbico materno, em direção oblíqua ao dorso fetal) ajuda a rodar e desimpactar o ombro anterior. Se essas manobras falharem, outras sequenciais, como as manobras internas (Rubin II, Woods, reversa de Woods) ou a retirada do braço posterior, devem ser consideradas, sempre evitando a tração excessiva da cabeça fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de distocia de ombro durante o parto?

O principal sinal de distocia de ombro é o 'sinal da tartaruga', onde a cabeça fetal emerge e retrai-se contra o períneo materno. Há também a falha na rotação externa da cabeça fetal e a dificuldade ou impossibilidade de desprendimento dos ombros após a expulsão da cabeça.

Como a manobra de McRoberts ajuda a resolver a distocia de ombro?

A manobra de McRoberts envolve a hiperflexão das coxas da paciente sobre o abdome. Isso causa uma retificação da lordose lombar, rotação da sínfise púbica em direção à cabeça materna e aumento do diâmetro anteroposterior da pelve, facilitando a desimpactação do ombro anterior.

Quais são as complicações maternas e fetais da distocia de ombro?

As complicações fetais incluem lesão do plexo braquial (paralisia de Erb-Duchenne), fratura de clavícula ou úmero, asfixia e morte. Para a mãe, pode ocorrer hemorragia pós-parto, lacerações vaginais e perineais graves, e ruptura uterina.

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