Distócia de Ombro: Manejo Imediato e Manobra de McRoberts

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Gestante de 29 anos de idade, G2P1, com diagnóstico de diabetes gestacional controlada por dieta, é admitida com 39 semanas e em trabalho de parto, com 5cm de dilatação do colo uterino. O peso estimado do feto é de 4.200g. Durante o parto, ocorreu distócia de ombro, necessitando de manobras obstétricas. A glicemia de jejum no pós-parto imediato estava normal.A manobra obstétrica indicada para resolver a distócia de ombro a ser realizada de imediato:

Alternativas

Pérola Clínica

Distócia de ombro → Manobra de McRoberts + Pressão Suprapúbica (sucesso em >90%).

Resumo-Chave

A distócia de ombro é uma emergência mecânica onde o ombro anterior impacta na sínfise púbica. O manejo inicial padrão-ouro envolve a hiperflexão das coxas (McRoberts) e pressão suprapúbica.

Contexto Educacional

A distócia de ombro é uma das emergências mais temidas na obstetrícia, ocorrendo quando as manobras habituais de tração cefálica falham em liberar os ombros. A incidência varia de 0,6% a 1,4% dos partos vaginais, mas o risco é significativamente maior em fetos macrossômicos de mães diabéticas. O diagnóstico é clínico, frequentemente precedido pelo 'sinal da tartaruga' (retração da cabeça fetal contra o períneo). O protocolo de atendimento deve ser sistemático, frequentemente guiado pelo mnemônico HELPERR. As manobras de primeira linha (McRoberts e pressão suprapúbica) visam alterar a relação feto-pélvica sem manipulação interna. Caso falhem, procede-se às manobras internas (Rubin II, Woods, extração do ombro posterior). O objetivo principal é o desprendimento em menos de 5 minutos para evitar lesão hipóxico-isquêmica e minimizar danos ao plexo braquial.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Manobra de McRoberts?

A Manobra de McRoberts consiste na hiperflexão e abdução das coxas maternas contra o abdome. Essa ação retifica o ângulo lombossacro, rotaciona a sínfise púbica superiormente e aplaina o promontório sacral, facilitando o desprendimento do ombro anterior que está impactado. É a manobra inicial de escolha por ser não invasiva e apresentar altas taxas de sucesso, especialmente quando combinada à pressão suprapúbica.

Por que a pressão fúndica é contraindicada na distócia de ombro?

A pressão fúndica (Manobra de Kristeller) é formalmente contraindicada na distócia de ombro porque empurra o ombro fetal ainda mais contra a sínfise púbica, agravando a impactação. Além de não resolver o problema mecânico, aumenta significativamente o risco de complicações graves, como a ruptura uterina, lacerações perineais severas e lesões graves do plexo braquial no recém-nascido.

Qual a relação entre Diabetes Gestacional e distócia de ombro?

O diabetes gestacional aumenta o risco de macrossomia fetal, caracterizada por um crescimento desproporcional do tronco e ombros em relação à cabeça (biometria assimétrica). Esse biotipo fetal aumenta a probabilidade de o diâmetro biacromial ficar retido no estreito superior da bacia após a saída do polo cefálico, configurando a distócia de ombro durante o parto vaginal.

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