UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Gestante de 28 anos, G3P2, com 38 semanas de gestação, procurou atendimento no hospital de sua cidade por contrações uterinas dolorosas e regulares nas 2 últimas horas. Ao exame obstétrico, os batimentos cardiofetais estavam normais, a dinâmica uterina era de 5 contrações/10 minutos com “puxos”; ao toque, havia 10 cm de dilatação, com a cabeça fetal no plano +3 de De Lee e a sutura lambdoide em posição subpúbica. Assinale a assertiva correta sobre a assistência ao trabalho de parto.
Distocia de ombro → tração cefálica para baixo não libera ombro anterior = iniciar manobras específicas.
A distocia de ombro é uma emergência obstétrica que exige reconhecimento rápido e aplicação sequencial de manobras específicas para liberar o ombro anterior impactado, evitando lesões fetais e maternas. A tração excessiva ou inadequada da cabeça fetal pode agravar a situação.
A distocia de ombro é uma emergência obstétrica definida pela falha do desprendimento do ombro fetal após a saída da cabeça, mesmo com tração suave. Sua incidência varia de 0,2% a 3% dos partos vaginais, sendo imprevisível na maioria dos casos. É crucial para a segurança materno-fetal, exigindo reconhecimento e intervenção imediatos para minimizar morbidade e mortalidade. A fisiopatologia envolve a impactação do ombro anterior fetal sob a sínfise púbica materna, impedindo a progressão do parto. O diagnóstico é clínico, pela retração da cabeça fetal contra o períneo materno ('sinal da tartaruga'). Fatores de risco incluem macrossomia fetal, diabetes gestacional, obesidade materna e trabalho de parto prolongado, mas pode ocorrer em qualquer parto, mesmo em fetos de peso normal. O tratamento consiste na aplicação sequencial de manobras específicas, como McRoberts, pressão suprapúbica, rotação interna (Woods, Rubin) e, em último caso, manobras de último recurso (Zavanelli, fratura de clavícula). O objetivo é liberar o ombro anterior e evitar lesões como paralisia de Erb-Duchenne ou fratura de clavícula fetal, bem como complicações maternas como hemorragia e lacerações.
O sinal mais característico é a retração da cabeça fetal contra o períneo materno após o desprendimento cefálico, conhecido como 'sinal da tartaruga', indicando que o ombro anterior está impactado sob a sínfise púbica.
A sequência geralmente envolve a manobra de McRoberts (hiperflexão das coxas maternas), seguida de pressão suprapúbica. Se falharem, são tentadas manobras de rotação interna como Woods ou Rubin, e em último caso, manobras de último recurso como Zavanelli ou fratura de clavícula.
As complicações fetais incluem lesão do plexo braquial (paralisia de Erb-Duchenne), fratura de clavícula ou úmero, e asfixia. Para a mãe, pode ocorrer hemorragia pós-parto, lacerações vaginais e perineais graves, e ruptura uterina.
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