USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Parturiente de 38 anos de idade, secundigesta com um parto normal há 10 anos, 39 semanas e 2 dias de gestação encontra-se em trabalho de parto há 5 horas, com analgesia de parto há uma hora. Refere pré-natal sem intercorrências, última ultrassonografia obstétrica foi com 35 semanas de gestação, com feto único em apresentação cefálica, dorso à esquerda, peso fetal estimado de 3180g (percentil 95 de Hadlock), placenta fúndica, e índice de líquido amniótico de 18. No momento do parto observa-se a seguinte situação:Qual é a primeira manobra obstétrica que deve ser realizada nesse momento?
Distocia de ombro → McRoberts (hiperfletir coxas) é a primeira manobra.
A distocia de ombro é uma emergência obstétrica. A primeira manobra a ser realizada é a Manobra de McRoberts, que consiste na hiperflexão das coxas da parturiente sobre o abdome, visando retificar a curvatura lombossacra e girar a sínfise púbica para cima, liberando o ombro anterior.
A distocia de ombro é uma emergência obstétrica imprevisível, embora alguns fatores de risco como macrossomia fetal, diabetes gestacional e obesidade materna possam aumentar sua incidência. O reconhecimento rápido e a aplicação sequencial de manobras são cruciais para minimizar a morbimortalidade materna e fetal. A incidência varia de 0,2% a 3% dos partos vaginais. A sequência de manobras para distocia de ombro deve ser sistemática e rápida. A primeira e mais importante é a Manobra de McRoberts, que envolve a hiperflexão das coxas da parturiente em direção ao abdome, retificando a lordose lombar e girando a sínfise púbica para cima, o que pode liberar o ombro anterior. Se não for bem-sucedida, outras manobras como a pressão suprapúbica (Manobra de Mazzanti), rotação interna (Manobra de Woods ou Rubin), remoção do braço posterior ou, em último caso, a Manobra de Zavanelli (empurrar a cabeça de volta para o útero para cesariana) devem ser consideradas. O treinamento contínuo em simulações de distocia de ombro é essencial para residentes, pois a rapidez e a coordenação da equipe são determinantes para o prognóstico. O objetivo é liberar o ombro em menos de 5 minutos para evitar lesões neurológicas irreversíveis no feto devido à asfixia.
A distocia de ombro é caracterizada pela falha na saída do ombro anterior após a expulsão da cabeça fetal, mesmo com tração suave. O sinal clássico é o 'sinal da tartaruga', onde a cabeça fetal retrai-se para o períneo.
A manobra de McRoberts é a primeira escolha por ser simples, não invasiva e eficaz em até 40% dos casos. Ela aumenta o diâmetro anteroposterior da pelve e facilita a rotação do ombro fetal sob a sínfise púbica.
As complicações fetais incluem lesão do plexo braquial, fratura de clavícula ou úmero, asfixia e morte. As maternas podem ser hemorragia pós-parto, lacerações vaginais e perineais graves, e ruptura uterina.
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