Distocia de Ombro: Manobra de McRoberts e Manejo

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Durante o período expulsivo do trabalho de parto de uma paciente com diagnóstico de diabetes gestacional, o plantonista foi chamado para avaliar uma paciente que após a saída da cabeça fetal, foi observada a retração da cabeça fetal contra o períneo materno durante contrações e ruborização da face fetal, sem a saída do ovóide córmico. Diante dessa situação, a descrição da manobra adequada para resolução do parto é:

Alternativas

  1. A) realizar a pressão supra-púbica (manobra de Rubin I) feita pelo auxiliar, no intuito de aduzir o ombro posterior do feto.
  2. B) a retirada do ombro posterior (manobra de Jacquemier) não pode ser realizada com a parturiente em Gaskin.
  3. C) manobra de Ritgen, que visa aumentar o diâmetro anteroposterior da pelve óssea.
  4. D) manobra de Jacobs-Dublin, que visa fazer movimento rotacional de 180 graus, locando o ombro posterior abaixo do púbis
  5. E) manobra de McRoberts, que pode ser realizada com o aumento do agachamento (na parturiente em posição vertical).

Pérola Clínica

Distocia de ombro: Sinal da tartaruga → Manobra de McRoberts (hiperflexão das coxas maternas).

Resumo-Chave

A distocia de ombro é uma emergência obstétrica caracterizada pela falha na saída do ombro fetal após a cabeça. A manobra de McRoberts, que consiste na hiperflexão das coxas maternas sobre o abdome, é a primeira e mais eficaz manobra para aumentar o diâmetro anteroposterior da pelve e liberar o ombro impactado.

Contexto Educacional

A distocia de ombro é uma emergência obstétrica imprevisível, caracterizada pela falha na saída do ombro fetal após a expulsão da cabeça, devido à impactação do ombro anterior atrás da sínfise púbica ou do ombro posterior no promontório sacral. Embora fatores de risco como diabetes gestacional e macrossomia fetal existam, a maioria dos casos ocorre em gestações de baixo risco. O reconhecimento rápido e a intervenção imediata são cruciais para evitar morbidade e mortalidade materno-fetal. O diagnóstico é clínico, evidenciado pelo 'sinal da tartaruga' e pela dificuldade em progredir o parto. A manobra de McRoberts é a primeira linha de tratamento e consiste na hiperflexão das coxas maternas sobre o abdome, o que retifica a lordose lombar, rotaciona a sínfise púbica e aumenta o diâmetro anteroposterior da pelve. Esta manobra é frequentemente combinada com pressão suprapúbica para desimpactar o ombro. O manejo da distocia de ombro exige uma abordagem sistemática e rápida, seguindo um protocolo de manobras progressivas. O residente deve estar familiarizado com a sequência de manobras (McRoberts, pressão suprapúbica, Rubin, Woods, Jacquemier, Zavanelli) e suas indicações, bem como com as possíveis complicações, como lesão do plexo braquial fetal e hemorragia pós-parto materna. A prática simulada é fundamental para adquirir a destreza necessária.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal da tartaruga na distocia de ombro?

O sinal da tartaruga é a retração da cabeça fetal contra o períneo materno após a sua saída, indicando que o ombro anterior está impactado atrás da sínfise púbica. É um sinal clássico de distocia de ombro.

Qual a sequência de manobras para resolver a distocia de ombro?

A sequência geralmente começa com a manobra de McRoberts, seguida pela pressão suprapúbica (Manobra de Mazzanti). Se estas falharem, podem ser tentadas manobras internas como Rubin I, Woods, ou Jacquemier, e por último, a Zavanelli.

A manobra de McRoberts pode ser realizada em qualquer posição da parturiente?

A manobra de McRoberts é mais eficaz com a parturiente em decúbito dorsal, permitindo a hiperflexão das coxas sobre o abdome. Embora algumas manobras possam ser adaptadas para outras posições, a McRoberts clássica é realizada nesta posição para maximizar o diâmetro pélvico.

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