Distocia Funcional: Diagnóstico e Manejo no Trabalho de Parto

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020

Enunciado

Secundigesta, 39 semanas de gestação, em trabalho de parto, admitida com 6 cm de dilação cervical há 01:00 hora da madrugada. - Ao exame físico obstétrico as 09:00 da manhã : tônus uterino normal, 2 contrações de 20 segundos em 10 minutos, 145 batimentos cardíacos fetais por minuto, ausência de sangramento vaginal, bolsa amniótica íntegra, colo esvaecido 70%, pérvio para 7 cm, apresentação cefálica em - 1 de De Lee. - Ao exame físico obstétrico as 11:00 da manhã : tônus uterino normal, 2 contrações de 18 segundos em 10 minutos, 131 batimentos cardíacos fetais por minuto, ausência de sangramento vaginal, bolsa amniótica íntegra, amnioscopia revela líquido claro com grumos grossos, colo esvaecido 60%, pérvio para 7 cm, apresentação cefálica em -1 de De Lee. Em relação a evolução do trabalho de parto o diagnóstico correto é:

Alternativas

  1. A) parto eutócico, com evolução normal
  2. B) distocia funcional por hiperatividade uterina
  3. C) sofrimento fetal agudo
  4. D) parto taquitócico
  5. E) distocia funcional por hipoatividade uterina

Pérola Clínica

Trabalho de parto prolongado com dinâmica uterina inadequada → Distocia funcional por hipoatividade uterina.

Resumo-Chave

A progressão do trabalho de parto é avaliada pela dilatação cervical e descida da apresentação fetal em relação à dinâmica uterina. A ausência de progressão da dilatação (7 cm por 2 horas) e contrações uterinas infrequentes e curtas (2 em 10 minutos, 18-20 segundos) são indicativos de hipoatividade uterina, uma forma de distocia funcional.

Contexto Educacional

A distocia funcional, especialmente por hipoatividade uterina, é uma das causas mais comuns de trabalho de parto prolongado e pode levar a intervenções como a cesariana. É fundamental que residentes e estudantes de medicina compreendam a fisiologia do trabalho de parto e os critérios para identificar desvios da normalidade, a fim de intervir de forma oportuna e segura. A avaliação contínua da dinâmica uterina e da progressão cervical é crucial para o manejo adequado. A fisiopatologia da hipoatividade uterina pode envolver fatores como fadiga muscular uterina, distensão excessiva do útero (em casos de polidrâmnio ou macrossomia), ou uso inadequado de analgésicos. O diagnóstico é clínico, baseado na observação da frequência, duração e intensidade das contrações, juntamente com a ausência de progressão cervical ou da descida fetal no partograma. É importante descartar outras causas de falha de progressão antes de firmar o diagnóstico de distocia funcional. O tratamento da hipoatividade uterina em pacientes estáveis geralmente consiste na estimulação das contrações com ocitocina, sempre sob monitorização rigorosa da mãe e do feto. O objetivo é restabelecer uma dinâmica uterina eficaz para permitir a progressão do parto vaginal. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a falha na resposta à ocitocina pode indicar a necessidade de cesariana.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar hipoatividade uterina no trabalho de parto?

A hipoatividade uterina é diagnosticada quando as contrações uterinas são infrequentes (menos de 2-3 em 10 minutos), de curta duração (menos de 40 segundos) e/ou de baixa intensidade, resultando em falha na progressão da dilatação cervical ou descida da apresentação fetal.

Como diferenciar hipoatividade uterina de outras distocias de trabalho de parto?

A diferenciação envolve a avaliação completa da dinâmica uterina, do colo cervical e da apresentação fetal. Enquanto a hipoatividade se refere à ineficácia das contrações, outras distocias podem ser causadas por desproporção céfalo-pélvica, má-posição fetal ou anomalias do colo, mesmo com contrações adequadas.

Qual a conduta inicial para hipoatividade uterina em uma paciente estável?

A conduta inicial geralmente envolve a otimização da dinâmica uterina, frequentemente com ocitocina intravenosa em bomba de infusão, monitorando a resposta fetal e materna. É crucial reavaliar a progressão do parto após a intervenção.

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