Distocia Funcional no Parto: Diagnóstico e Manejo com Ocitocina

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta de 20 anos, sem doenças, é admitida em centro obstétrico com 38 semanas de gestação, em trabalho de parto e queixa de perda de líquido pela vagina há 1 hora. Ao exame físico: altura uterina = 33cm; dinâmica uterina = 3 contrações moderadas em 10 minutos; toque = colo médio anterior com 4 cm de dilatação, bolsa rota, apresentação em ODP, com ápice na altura das espinhas ciáticas; sem demais alterações. Vitalidade fetal normal. Neste momento, foi solicitada analgesia pela dor da paciente. Após 3 horas, em novo exame, constata-se: dinâmica uterina = 3 contrações moderadas em 10 minutos; toque = colo médio, anterior, dilatado para 6 cm, sem alteração na variedade de posição nem altura da apresentação. Considerando vitalidade fetal preservada, o diagnóstico e respectiva conduta são:

Alternativas

  1. A) Trabalho de parto eutócico; reavaliar em 1 hora.
  2. B) Distocia funcional; introdução de ocitocina (EV).
  3. C) Desproporção cefalopélvica; cesárea.
  4. D) Distocia de rotação; cesárea.

Pérola Clínica

Primigesta, fase ativa, dilatação < 1 cm/h (após analgesia) → Distocia funcional, indicar ocitocina.

Resumo-Chave

Em uma primigesta na fase ativa do trabalho de parto, uma dilatação de 4 para 6 cm em 3 horas (0,66 cm/h) é considerada lenta (o esperado é > 1 cm/h). Isso configura uma distocia funcional, que pode ser corrigida com a introdução de ocitocina intravenosa para otimizar as contrações uterinas.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo dinâmico e complexo, cuja progressão é monitorada através do partograma. A fase ativa do trabalho de parto, que se inicia com 6 cm de dilatação cervical, é caracterizada por uma progressão mais rápida. Em primigestas, espera-se uma dilatação de pelo menos 1 cm por hora. Qualquer desvio dessa curva de normalidade pode indicar uma distocia, que é uma falha na progressão do trabalho de parto. A distocia funcional, ou distocia de dilatação, ocorre quando há contrações uterinas inadequadas em frequência, intensidade ou duração para promover a dilatação cervical e a descida fetal. Fatores como analgesia peridural podem influenciar a dinâmica uterina, mas a persistência de uma progressão lenta (como 4 para 6 cm em 3 horas) após a analgesia sugere a necessidade de intervenção. O manejo da distocia funcional geralmente envolve a otimização da dinâmica uterina, sendo a ocitocina intravenosa a principal conduta. A ocitocina deve ser administrada de forma gradual e monitorada, visando alcançar contrações uterinas eficazes (3-5 contrações em 10 minutos, com duração de 40-60 segundos). É crucial descartar outras causas de distocia, como desproporção cefalopélvica ou distocia de rotação, antes de iniciar a ocitocina.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar distocia funcional na fase ativa do trabalho de parto?

Em primigestas, a distocia funcional na fase ativa é diagnosticada quando a dilatação cervical é inferior a 1 cm por hora, ou quando há ausência de progressão por 2 horas ou mais, apesar de contrações uterinas adequadas ou após otimização.

Como a ocitocina atua no manejo da distocia funcional?

A ocitocina é um hormônio sintético que estimula as contrações uterinas, aumentando sua frequência, intensidade e duração. Isso ajuda a otimizar a dinâmica uterina, promovendo a dilatação cervical e a descida fetal, corrigindo a distocia funcional.

A analgesia peridural pode causar distocia funcional?

A analgesia peridural pode, em alguns casos, lentificar a progressão do trabalho de parto, especialmente na fase ativa. No entanto, se a progressão for significativamente lenta, mesmo após a analgesia, outras causas de distocia funcional devem ser investigadas e tratadas, como a hipoatividade uterina.

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