Distocia Funcional: Como Interpretar o Partograma e Agir

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, está na sua primeira gestação, com 38 semanas e 4 dias. Foi internada no centro obstétrico por ter entrado em trabalho de parto associado a ruptura prematura de membranas ovulares. A evolução do seu partograma pode ser vista na imagem a seguir: Qual é o diagnóstico e a conduta que deve ser tomada neste caso?

Alternativas

  1. A) Distocia funcional de hiperatividade. Indicar parto cesáreo.
  2. B) Distocia funcional de hipoatividade. Indicar parto cesáreo.
  3. C) Distocia funcional de hipoatividade. Aumentar a ocitocina.
  4. D) Distocia funcional de hiperatividade. Diminuir a ocitocina.

Pérola Clínica

Partograma com dilatação lenta ou parada + contrações inadequadas → Distocia funcional por hipoatividade = Otimizar ocitocina.

Resumo-Chave

Uma progressão lenta da dilatação cervical no partograma, na ausência de sofrimento fetal e com contrações insuficientes, caracteriza uma distocia funcional por hipoatividade. A conduta primária é a correção da contratilidade uterina com ajuste da infusão de ocitocina.

Contexto Educacional

O partograma é uma ferramenta gráfica essencial para o acompanhamento do trabalho de parto, permitindo a identificação precoce de desvios da normalidade. Ele plota a dilatação cervical e a descida da apresentação fetal em função do tempo, utilizando linhas de alerta e ação para guiar a conduta clínica. Uma evolução adequada do trabalho de parto é fundamental para o bem-estar materno-fetal. A distocia funcional é a causa mais comum de prolongamento ou parada do trabalho de parto. Ela pode ser por hipoatividade (hipocontratilidade), quando as contrações uterinas são insuficientes em frequência ou intensidade para promover a dilatação, ou por hiperatividade. O cenário descrito na questão, que leva à resposta 'aumentar a ocitocina', aponta para uma distocia por hipoatividade, onde a curva de dilatação cruza a linha de alerta. Nessa situação, desde que a vitalidade fetal esteja assegurada (monitorização cardíaca fetal normal) e não haja contraindicações ou evidências de desproporção cefalopélvica, a conduta preconizada é a correção da força motriz do parto. Isso é feito através da amniotomia (se as membranas estiverem íntegras) e/ou da otimização da infusão de ocitocina. A indicação de cesárea é reservada para casos em que a correção da contratilidade não resulta em progressão ou quando há sinais de sofrimento fetal.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza uma distocia funcional de hipoatividade no partograma?

É caracterizada por uma progressão da dilatação cervical mais lenta que o esperado (ex: < 1 cm/hora na fase ativa), com a curva de dilatação cruzando a linha de alerta. Isso geralmente está associado a contrações uterinas de frequência, duração ou intensidade insuficientes.

Qual a conduta correta diante de uma parada secundária da dilatação?

Se a vitalidade fetal estiver preservada e não houver suspeita de desproporção cefalopélvica, a conduta é otimizar as contrações uterinas. Isso é feito aumentando a dose da infusão de ocitocina, e então reavaliando a progressão da dilatação e a descida fetal em 1 a 2 horas.

Como diferenciar hipoatividade de uma desproporção cefalopélvica (DCP)?

Na hipoatividade, a correção das contrações com ocitocina resulta na progressão do parto. Na DCP, mesmo com contrações efetivas e fortes, a dilatação não progride e a cabeça fetal não desce, podendo haver sinais como bossa serossanguínea acentuada e cavalgamento de suturas.

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