Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
F.N.B., 23 anos, primigesta, IG 40 semanas e 3 dias, internada há 4 horas por diagnóstico de trabalho de parto. Ao exame físico, TV: colo 5 cm, fino, medianizado, bolsa íntegra, apresentação cefálica, DU: 3/10’/40’’. O partograma demonstra ausência de dilatação cervical há 3 horas. O provável diagnóstico e conduta que pode ser adotada são, respectivamente:
Primigesta com fase ativa prolongada (dilatação < 1,2 cm/h) e bolsa íntegra → distocia funcional, amniotomia é conduta inicial.
Em uma primigesta com diagnóstico de trabalho de parto e progressão inadequada da dilatação cervical na fase ativa (menos de 1,2 cm/hora), a ausência de dilatação por 3 horas com bolsa íntegra sugere distocia funcional. A amniotomia é a conduta inicial para acelerar o trabalho de parto, seguida, se necessário, de ocitocina.
A distocia funcional é uma das causas mais comuns de trabalho de parto prolongado e representa uma falha na progressão do parto devido a contrações uterinas ineficazes. É fundamental diferenciá-la de outras distocias, como a desproporção céfalo-pélvica (DCP), que exige uma abordagem diferente. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada são cruciais para evitar complicações maternas e fetais, como infecção, exaustão materna e sofrimento fetal. No caso de uma primigesta, a fase ativa do trabalho de parto é caracterizada por uma dilatação cervical de pelo menos 1,2 cm/hora. Quando a dilatação cessa ou progride muito lentamente por um período de 2 a 3 horas, mesmo com contrações uterinas adequadas ou após otimização, suspeita-se de distocia funcional. A avaliação do partograma é essencial para monitorar a progressão e identificar esses desvios. A conduta para a distocia funcional com bolsa íntegra geralmente inicia com a amniotomia, que pode aumentar a intensidade e frequência das contrações e liberar prostaglandinas endógenas. Se a amniotomia não for suficiente para restabelecer a progressão, a ocitocina endovenosa é utilizada para otimizar a contratilidade uterina. A cesárea é reservada para casos de falha na indução ou progressão, ou quando há evidência de sofrimento fetal ou DCP.
A distocia funcional na fase ativa é diagnosticada quando a dilatação cervical progride a uma taxa inferior ao esperado (em primigestas, menos de 1,2 cm/hora; em multíparas, menos de 1,5 cm/hora) ou há ausência de dilatação por um período prolongado (ex: 2-3 horas).
A conduta inicial para distocia funcional com bolsa íntegra é a amniotomia, que pode acelerar o trabalho de parto. Se a progressão ainda for insatisfatória, a ocitocina pode ser administrada para otimizar as contrações.
O partograma é uma ferramenta gráfica que registra a dilatação cervical e a descida da apresentação ao longo do tempo, permitindo identificar precocemente desvios da curva de progressão normal e diagnosticar distocias, como a fase ativa prolongada.
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