UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Secundigesta, 39 semanas de gestação, em trabalho de parto, admitida com 6 cm de dilação cervical à 01:00 hora da madrugada. Ao exame físico obstétrico às 09h da manhã: tônus uterino normal, 2 contrações de 20 segundos em 10 minutos, 145 batimentos cardíacos fetais por minuto, ausência de sangramento vaginal, bolsa amniótica íntegra, colo esvaecido 70%, pérvio para 7 cm, apresentação cefálica em - 1 de De Lee. Ao exame físico obstétrico às 11h da manhã: tônus uterino normal, 2 contrações de 18 segundos em 10 minutos, 131 batimentos cardíacos fetais por minuto, ausência de sangramento vaginal, bolsa amniótica íntegra, amnioscopia revela líquido claro com grumos grossos, colo esvaecido 60%, pérvio para 7 cm, apresentação cefálica em -1 de De Lee. Em relação à evolução do trabalho de parto, o diagnóstico correto é
Dilatação cervical estacionada (7cm por 10h) + contrações ↓ frequência/intensidade = distocia funcional por hipoatividade uterina.
A paciente apresenta dilatação cervical estacionada em 7 cm por um período de 10 horas (de 01h às 11h), com contrações uterinas infrequentes e de curta duração (2 contrações em 10 minutos, 18-20 segundos). Este quadro é compatível com distocia funcional por hipoatividade uterina, caracterizada por contrações ineficazes para promover a progressão do trabalho de parto.
A distocia funcional é uma das principais causas de trabalho de parto prolongado e de cesariana, sendo crucial para o residente de obstetrícia saber identificá-la e manejá-la. Ela se refere a uma anormalidade na força das contrações uterinas, que podem ser hipoativas (insuficientes) ou hiperativas (excessivas e ineficazes), impedindo a progressão normal do trabalho de parto. No caso da hipoatividade uterina, as contrações são infrequentes, curtas e/ou de baixa intensidade, resultando em uma dilatação cervical lenta ou estacionada e/ou falha na descida da apresentação fetal. O diagnóstico é feito pela observação clínica e pelo partograma, que evidencia a não progressão da dilatação cervical ou da descida fetal, apesar de um período adequado de trabalho de parto. O manejo da hipoatividade uterina geralmente envolve a amniotomia (ruptura artificial das membranas) e a ocitocina intravenosa para estimular as contrações uterinas, desde que não haja contraindicações maternas ou fetais. A monitorização contínua da mãe e do feto é essencial para garantir a segurança e a eficácia da intervenção, visando a um parto vaginal seguro.
O diagnóstico de distocia funcional por hipoatividade uterina é feito quando há falha na progressão do trabalho de parto (dilatação cervical ou descida da apresentação) associada a contrações uterinas de frequência, intensidade ou duração insuficientes.
A conduta inicial geralmente envolve a avaliação da paciente e do feto, e se não houver contraindicações, a amniotomia e a ocitocina são frequentemente utilizadas para otimizar as contrações uterinas e promover a progressão do trabalho de parto.
A hipoatividade uterina se diferencia pela ineficácia das contrações. Outras distocias podem ser por desproporção céfalo-pélvica (distocia óssea), má posição fetal ou hiperatividade uterina (contrações excessivas e ineficazes). O partograma é uma ferramenta essencial para essa diferenciação.
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