USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Paciente de 20 anos, primigesta, 40 semanas, admitida em trabalho de parto com contrações dolorosas rítmicas há 4 horas. Ao exame físico: AU: 38 cm. DU: 3 contrações/10 minutos. Foco: 148 bpm, com acelerações transitórias. Dorso à esquerda, escava completamente ocupada, sulco cervical bem nítido no polo inferior do dorso. Toque: colo médio, medianizado, pérvio para 3 cm, bolsa íntegra. A paciente entra em trabalho de parto alguns dias depois e observa-se, no período expulsivo, após a exteriorização do polo cefálico, a retração do mesmo contra o períneo materno entre as contrações, conforme fotografia a seguir:Assinale a alternativa correta que representa a melhor conduta neste momento.
Sinal da Tartaruga = Distocia de Espádua → Manobra de McRoberts + Pressão Suprapúbica IMEDIATAS.
A distocia de espádua é caracterizada pelo 'sinal da tartaruga' (retração da cabeça fetal contra o períneo). O manejo inicial padrão-ouro envolve a hiperflexão das coxas maternas (McRoberts) e pressão suprapúbica para desimpactar o ombro anterior.
A distocia de espádua é uma das emergências mais temidas na obstetrícia, ocorrendo quando o diâmetro biacromial não consegue atravessar o estreito superior da pelve. Fatores de risco incluem macrossomia fetal, diabetes materno e parto operatório, embora muitos casos ocorram sem fatores preditivos. O treinamento em protocolos como o ALARM ou ALSO é essencial. A sequência de manejo deve ser rápida e organizada, priorizando manobras não invasivas antes de progredir para manobras internas ou procedimentos de exceção (como a manobra de Zavanelli ou sinfisiotomia). O objetivo principal é o nascimento seguro em menos de 5 minutos para evitar encefalopatia hipóxico-isquêmica.
O sinal da tartaruga ocorre logo após a saída da cabeça fetal, quando esta parece ser 'puxada' de volta contra o períneo materno. Isso acontece porque o ombro anterior do feto está impactado atrás da sínfise púbica materna, impedindo a progressão natural do corpo mesmo com as contrações e esforços expulsivos.
A Manobra de McRoberts consiste na hiperflexão e abdução das coxas maternas contra o abdome. Essa ação retifica a curvatura sacral e promove uma rotação cefálica da sínfise púbica, aumentando o diâmetro relativo da bacia e facilitando o desprendimento do ombro anterior impactado.
Se McRoberts e pressão suprapúbica falharem, utilizam-se manobras internas de rotação, como a Manobra de Rubin II (pressão no dorso do ombro anterior) ou a Manobra de Woods (pressão na face anterior do ombro posterior - 'saca-rolhas'), além da extração do braço posterior.
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