Distócia de Dilatação: Diagnóstico e Conduta no Partograma

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente Gesta 2 Para 1 Aborto 0 é admitida na maternidade do Hospital Público de Macaé (HPM) pois está em trabalho de parto há 8 horas, tendo tido parto normal com RN pesando 3890 g na primeira gestação. Para o acompanhamento desse trabalho de parto os plantonistas usaram o partograma, cujas anotações das suas últimas evoluções estão referidas na tabela a seguir: A mesma está em evolução natural, sem ocitocina e sem analgesia. Pelos dados apresentados, pode-se concluir que se trata de, e que a melhor conduta a ser adotada é:

Alternativas

  1. A) Distócia de rotação, podendo-se abreviar o expulsivo com fórcipe de Kjelland.
  2. B) Distócia de rotação, devendo-se indicar cesárea.
  3. C) Desproporção céfalo-pélvica, devendo-se indicar cesárea.
  4. D) Distócia de dilatação, devendo fazer analgesia e ocitocina se necessário.
  5. E) Distócia funcional, devendo-se indicar cesárea.

Pérola Clínica

Dilatação cervical lenta (< 1cm/h) na fase ativa → Distócia de dilatação; conduta: ocitocina e/ou analgesia.

Resumo-Chave

A distócia de dilatação ocorre quando a progressão cervical é lenta na fase ativa. Antes de indicar cesárea, deve-se otimizar a dinâmica uterina e o conforto materno.

Contexto Educacional

O partograma é a ferramenta padrão-ouro recomendada pela Organização Mundial da Saúde para monitorar o trabalho de parto, permitindo a detecção precoce de desvios da normalidade. A distócia de dilatação reflete uma evolução lenta na fase ativa, frequentemente tratável com medidas conservadoras e funcionais. A análise correta do gráfico evita intervenções cirúrgicas precoces e garante a segurança materno-fetal. Na prática clínica, ao identificar que a curva de dilatação cruzou a linha de alerta, o obstetra deve avaliar fatores como a integridade das membranas, a qualidade das contrações e o bem-estar materno. O uso criterioso de ocitocina e a oferta de analgesia visam corrigir distócias funcionais, permitindo que o parto evolua para a via vaginal sempre que possível, reservando a cesárea para casos de falha real dessas medidas ou evidência de desproporção.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a distócia de dilatação?

A distócia de dilatação é caracterizada por uma velocidade de dilatação cervical inferior a 1 cm por hora durante a fase ativa do trabalho de parto, após a linha de alerta no partograma ter sido ultrapassada. É uma falha na progressão que muitas vezes está relacionada à hipoatividade uterina ou falta de coordenação das contrações, não necessariamente indicando uma desproporção céfalo-pélvica imediata. O diagnóstico exige que a paciente esteja em fase ativa (dilatação ≥ 4-6 cm e contrações efetivas) e que o acompanhamento gráfico demonstre essa lentidão em relação às curvas de normalidade esperadas.

Qual a diferença entre distócia de dilatação e parada secundária da dilatação?

Na distócia de dilatação, o colo continua a dilatar, porém de forma muito lenta (arrastada), cruzando a linha de alerta e aproximando-se da linha de ação. Já na parada secundária da dilatação, a dilatação cervical permanece exatamente a mesma em dois exames de toque sucessivos realizados com um intervalo de pelo menos duas horas em fase ativa. Ambas as condições exigem uma reavaliação criteriosa da dinâmica uterina, da apresentação fetal e da bacia materna, mas a distócia de dilatação sugere que o processo ainda está ocorrendo, apenas de forma ineficiente.

Quando indicar ocitocina na distócia de dilatação?

A ocitocina está indicada quando a dinâmica uterina é considerada insuficiente (poucas contrações ou contrações de baixa intensidade) para promover a progressão do parto. Antes de sua administração, o médico deve garantir que não há contraindicações absolutas, como desproporção céfalo-pélvica evidente, sofrimento fetal agudo ou cicatrizes uterinas prévias de risco. A associação com a analgesia de parto pode ser benéfica, pois reduz o estresse materno e a liberação de catecolaminas, o que pode melhorar a coordenação das contrações e facilitar a descida fetal.

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