CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Considerando um paciente que usa nos óculos lentes de -6,0 D, o poder dióptrico equivalente das lentes de contato que ele deverá utilizar será:
Miopia: Lente de contato < Poder do óculos (devido à redução da distância vértice).
Ao aproximar uma lente negativa (míope) do olho, seu poder efetivo aumenta. Para manter a mesma correção na córnea, a lente de contato deve ser menos potente que os óculos.
A óptica geométrica aplicada à oftalmologia demonstra que a posição de uma lente no sistema óptico altera a vergência dos raios que atingem a retina. A fórmula clássica Fc = Fo / (1 - d*Fo) explica essa relação, onde Fc é o poder na córnea, Fo o poder nos óculos e 'd' a distância vértice em metros. No caso da miopia (lentes negativas), a redução da distância vértice (óculos para contato) aumenta a eficácia da lente. No caso da hipermetropia (lentes positivas), a redução da distância vértice diminui a eficácia da lente, exigindo que a lente de contato seja MAIS potente que os óculos. O domínio desse conceito é fundamental para a adaptação bem-sucedida de lentes de contato e para o planejamento de cirurgias refrativas.
A distância vértice é o espaço medido entre a face posterior da lente dos óculos e o ápice da córnea, geralmente variando entre 12mm e 15mm. Essa distância é crucial porque a potência efetiva de uma lente muda conforme sua posição em relação ao olho. Em lentes de contato, essa distância é zero, o que exige ajustes no poder dióptrico prescrito para óculos, especialmente em ametropias maiores que 4,00 dioptrias.
Para lentes negativas (divergentes), quanto mais próximas do olho, maior é o seu poder de divergência efetivo. Como a lente de contato é colocada diretamente sobre a córnea (distância vértice zero), ela 'ganha' força em comparação aos óculos. Portanto, para compensar esse ganho e manter a mesma correção, devemos prescrever uma lente com valor absoluto menor (menos negativa).
Clinicamente, a compensação da distância vértice torna-se relevante para prescrições acima de +/- 4,00 dioptrias. Abaixo desse valor, a diferença entre o poder nos óculos e na córnea é geralmente desprezível (menor que 0,25 D), não impactando significativamente a acuidade visual do paciente.
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