HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022
Mulher, 55 anos, natural do interior de Minas Gerais, apresenta queixa de palpitações há algum tempo, com piora nos últimos dois meses. Apresentou dois episódios de síncope nesse período e deu entrada no serviço de emergência com queixa de astenia, tontura, turvação visual, falta de ar, edema nas pernas e desconforto torácico. Foi realizado um eletrocardiograma que está ilustrado a seguir. Assinale a alternativa que apresenta a causa mais provável da sintomatologia apresentada
Síncope + palpitações + bradicardia no ECG → suspeitar de Dissociação Atrioventricular (BAVT).
A dissociação atrioventricular, frequentemente causada por um bloqueio atrioventricular total (BAVT), leva a uma bradicardia sintomática com baixo débito cardíaco. Sintomas como síncope, tontura, astenia e dispneia são comuns devido à perfusão inadequada, e o ECG mostra ondas P e QRS independentes, com um ritmo de escape ventricular lento.
A dissociação atrioventricular (AV) ocorre quando os átrios e os ventrículos batem de forma independente, sem uma relação de condução entre eles. A causa mais comum e clinicamente relevante é o bloqueio atrioventricular total (BAVT) ou de terceiro grau, onde nenhum impulso atrial é conduzido aos ventrículos. Essa condição leva a uma bradicardia grave, pois os ventrículos dependem de um ritmo de escape (nodal ou ventricular) para manter a contração, resultando em um débito cardíaco significativamente reduzido. A epidemiologia varia, mas pode ser causada por isquemia, degeneração do sistema de condução, doenças inflamatórias (como a Doença de Chagas, endêmica em algumas regiões do Brasil), medicamentos ou distúrbios eletrolíticos. A fisiopatologia do BAVT envolve a interrupção completa da condução do impulso elétrico do átrio para o ventrículo. Os sintomas apresentados pela paciente – palpitações, síncope, astenia, tontura, turvação visual, falta de ar, edema nas pernas e desconforto torácico – são clássicos de baixo débito cardíaco e hipoperfusão sistêmica, diretamente relacionados à bradicardia severa. A síncope, em particular, é um sinal de alerta grave, indicando hipoperfusão cerebral transitória. O diagnóstico é confirmado pelo eletrocardiograma (ECG), que mostrará ondas P e complexos QRS com ritmos independentes, sendo a frequência atrial maior que a ventricular, e o QRS ventricular geralmente lento e, dependendo do local do escape, alargado. O tratamento do BAVT sintomático é uma emergência médica e geralmente requer a implantação de um marca-passo cardíaco definitivo para restaurar um ritmo ventricular adequado e aliviar os sintomas. Para residentes, a capacidade de interpretar um ECG com dissociação AV e correlacioná-lo com a sintomatologia de baixo débito é uma habilidade diagnóstica crítica. A identificação rápida e a intervenção apropriada são essenciais para prevenir complicações graves, como morte súbita, e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Sintomas como palpitações, síncope, tontura, astenia, turvação visual, falta de ar e edema nas pernas são altamente sugestivos de baixo débito cardíaco devido a uma bradicardia grave, frequentemente causada por dissociação atrioventricular.
No ECG, a dissociação atrioventricular é caracterizada por ondas P e complexos QRS que batem de forma independente, sem relação entre si. Geralmente, a frequência atrial é maior que a ventricular, e o ritmo ventricular é um ritmo de escape lento, com QRS alargado ou estreito dependendo da origem do escape.
A causa mais provável é um bloqueio atrioventricular total (BAVT), onde nenhum impulso atrial é conduzido aos ventrículos. Em regiões endêmicas como Minas Gerais, a Doença de Chagas é uma etiologia importante a ser considerada, pois pode causar fibrose no sistema de condução cardíaco.
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