Dissecção Aórtica Aguda: Manejo Hemodinâmico Essencial

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Um senhor de 70 anos, com 70 kg, está internado na UTI recebendo a seguinte prescrição médica: -Repouso absoluto no leito -Dieta oral branda -Sinais vitais 4/4h -Soro fisiológico 0,9% 250 ml IV nas 24h -Pantoprazol 40mg IV 1x ao dia -Enoxaparina 40mg/dia - Esmolol (2500mg/10ml) 10ml + SG 5% 240ml IV a 30ml/h -Nitroprussiato de sódio 2ml + SG 5% 242ml IV 20ml/h -Dipirona 1g IV até 4/4h SOS Para qual das situações abaixo esta prescrição deveria, idealmente, ser usada?

Alternativas

  1. A) Crise renal esclerodérmica.
  2. B) Síndrome coronariana na sem supradesnivelamento do segmento ST.
  3. C) Síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento do segmento ST.
  4. D) Aneurisma de aorta abdominal assintomático.
  5. E) Dissecção aórtica aguda.

Pérola Clínica

Dissecção aórtica aguda → controle FC (Esmolol) e PA (Nitroprussiato) para ↓ estresse na parede aórtica.

Resumo-Chave

O tratamento da dissecção aórtica aguda visa reduzir o estresse de cisalhamento na parede aórtica, controlando rigorosamente a frequência cardíaca e a pressão arterial. Betabloqueadores como o esmolol são a primeira linha para reduzir a FC e a contratilidade miocárdica, seguidos por vasodilatadores como o nitroprussiato para controlar a PA.

Contexto Educacional

A dissecção aórtica aguda é uma emergência cardiovascular grave, caracterizada pela separação das camadas da parede da aorta, com alta morbimortalidade. É crucial para residentes reconhecerem a apresentação clínica e iniciar o manejo adequado rapidamente. A incidência é de aproximadamente 3-4 casos por 100.000 pessoas/ano, sendo mais comum em homens idosos com hipertensão. O diagnóstico é suspeitado por dor torácica súbita e intensa, frequentemente descrita como "rasgando" ou "dilacerando", que pode irradiar para as costas. A fisiopatologia envolve o estresse de cisalhamento na parede aórtica, que é exacerbado por hipertensão e taquicardia. A confirmação diagnóstica é feita por exames de imagem como angiotomografia, ecocardiograma transesofágico ou ressonância magnética. O tratamento inicial visa estabilização hemodinâmica, com controle rigoroso da frequência cardíaca e pressão arterial. Betabloqueadores intravenosos (como esmolol ou labetalol) são a primeira escolha para reduzir a FC e a contratilidade. Após o controle da FC, vasodilatadores (como nitroprussiato de sódio) são adicionados para reduzir a pressão arterial. A maioria das dissecções tipo A (ascendente) requer cirurgia de emergência, enquanto as tipo B (descendente) podem ser manejadas clinicamente, a menos que haja complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os objetivos do tratamento farmacológico na dissecção aórtica aguda?

Os objetivos são reduzir a frequência cardíaca para 60-80 bpm e a pressão arterial sistólica para 100-120 mmHg, minimizando o estresse de cisalhamento na parede aórtica e prevenindo a progressão da dissecção.

Por que o betabloqueador deve ser administrado antes ou junto com o vasodilatador na dissecção aórtica?

O betabloqueador (ex: esmolol) reduz a frequência cardíaca e a contratilidade miocárdica. Se o vasodilatador (ex: nitroprussiato) for usado isoladamente, pode causar taquicardia reflexa, aumentando o estresse de cisalhamento e piorando a dissecção.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da dor torácica na dissecção aórtica?

Os principais diferenciais incluem síndrome coronariana aguda, embolia pulmonar, pericardite, pneumotórax e ruptura esofágica, exigindo uma avaliação rápida e precisa para um diagnóstico correto.

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