Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Um homem de 68 anos, em tratamento irregular de hipertensão arterial, é admitido na sala de emergência de um pronto-socorro com queixa de dor torácica e dorsal intensas. Baseado no quadro clínico e exames de imagem anteriores a suspeita é de dissecção de aorta torácica. Em uma análise de 258 pacientes com dor torácica ou dorsal foram identificados 128 com dissecção de aorta torácica, utilizando-se para o diagnóstico de exames de imagem sofisticados, ou achados de necropsia: mais de 90% poderiam ser diagnosticados baseando-se em achados clínicos, laboratoriais ou de imagem mais simples, porém significativos. NÃO faz parte desses achados:
Dissecção Aórtica: D-dímero ↑ tem alto VPN, mas baixo VPP, não sendo achado significativo para CONFIRMAR.
A dosagem de D-dímeros, embora útil para excluir dissecção de aorta (alto VPN) em pacientes de baixo risco, não é um achado significativo para CONFIRMAR o diagnóstico devido ao seu baixo valor preditivo positivo. Outros achados clínicos e de imagem simples são mais sugestivos e cruciais.
A dissecção de aorta é uma emergência cardiovascular grave, caracterizada pela separação das camadas da parede aórtica, com alta mortalidade se não diagnosticada e tratada rapidamente. A incidência é de aproximadamente 3-4 casos por 100.000 pessoas/ano, sendo mais comum em homens idosos com hipertensão arterial sistêmica não controlada. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é crucial para a sobrevida do paciente e para a prática clínica. A fisiopatologia envolve a ruptura da íntima aórtica, permitindo que o sangue penetre na camada média, criando um falso lúmen. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na dor torácica ou dorsal súbita e intensa, frequentemente descrita como 'rasgando'. Achados como diferença de pressão arterial entre os membros, ausência de pulsos e alargamento mediastinal na radiografia de tórax são altamente sugestivos. Exames de imagem avançados como angiotomografia são confirmatórios. O tratamento inicial visa o controle da dor e da pressão arterial (alvo PA sistólica 100-120 mmHg e FC < 60 bpm) com betabloqueadores e vasodilatadores. A conduta definitiva depende do tipo de dissecção (Stanford A ou B), sendo a cirurgia de emergência indicada para dissecções tipo A. O prognóstico é sombrio sem tratamento, com mortalidade de 1-2% por hora nas primeiras 24-48 horas, ressaltando a importância do diagnóstico rápido.
A dor torácica ou dorsal intensa e súbita, frequentemente descrita como 'rasgando', a diferença de pressão arterial entre os membros (>20 mmHg) e a ausência de pulsos periféricos são achados altamente sugestivos de dissecção de aorta.
O D-dímero elevado (>500 ng/mL) possui alto valor preditivo negativo, sendo útil para EXCLUIR dissecção de aorta em pacientes de baixo risco. No entanto, seu baixo valor preditivo positivo o torna ineficaz para CONFIRMAR o diagnóstico.
O alargamento do mediastino, o duplo contorno aórtico, o derrame pleural e o desvio da traqueia são achados que podem levantar a suspeita de dissecção de aorta na radiografia de tórax, embora sejam inespecíficos.
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