HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2022
Paciente sexo masculino, 54 anos, hipertenso, tabagista importante, deu entrada no pronto-socorro com quadro de dor torácica intensa, associada a sudorese que começou há cerca de 3 horas. À avaliação, a PA: 160 × 100 mmHg, FC: 80 bpm, SatO2: 98% em ar ambiente, FR: 16 ipm, pulsos assimétricos. Realizou eletrocardiograma e radiografia de tórax que seguem abaixo.O diagnóstico mais provável para esse paciente, dentre os abaixo, é: \n
Dor torácica lancinante + assimetria de pulsos + alargamento de mediastino → Dissecção de Aorta.
A dissecção de aorta torácica é uma emergência médica que exige alta suspeição clínica em pacientes hipertensos com dor súbita e sinais de má perfusão periférica ou assimetria pressórica.
A dissecção de aorta torácica ocorre quando uma laceração na camada íntima permite que o sangue penetre na camada média, criando um falso lúmen. Os principais fatores de risco são a hipertensão arterial crônica e doenças do tecido conjuntivo, como a Síndrome de Marfan. O quadro clínico clássico envolve dor torácica de início abrupto e intensidade máxima imediata, podendo ser acompanhada de déficits neurológicos, síncope ou insuficiência cardíaca aguda. O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica reforçada por exames de imagem. A Angiotomografia de tórax é o padrão-ouro pela rapidez e disponibilidade. O manejo inicial foca no controle da dor e na redução do estresse de cisalhamento na parede aórtica, utilizando betabloqueadores intravenosos (como esmolol ou labetalol) para manter a frequência cardíaca abaixo de 60 bpm e a pressão arterial sistólica entre 100-120 mmHg.
A dor da dissecção de aorta é tipicamente súbita, atingindo sua intensidade máxima no início, frequentemente descrita como 'rasgando' ou 'lancinante', e pode irradiar para o dorso ou abdome conforme a progressão da íntima. No IAM, a dor costuma ser opressiva, com início gradual e irradiação para mandíbula ou braço esquerdo. A presença de assimetria de pulsos ou de pressão arterial entre os membros superiores (>20 mmHg) é um achado altamente sugestivo de dissecção e raramente visto no IAM isolado.
A classificação de Stanford divide as dissecções em Tipo A (envolve a aorta ascendente) e Tipo B (envolve apenas a aorta descendente, distal à artéria subclávia esquerda). Essa distinção é crítica porque o Tipo A é uma emergência cirúrgica imediata devido ao risco de tamponamento cardíaco, insuficiência aórtica aguda ou oclusão de coronárias. O Tipo B, na ausência de complicações como isquemia de órgãos ou ruptura iminente, é inicialmente tratado de forma clínica com controle rigoroso da frequência cardíaca e pressão arterial.
Na radiografia de tórax, o achado mais comum é o alargamento do mediastino, presente em cerca de 60-90% dos casos de dissecção de aorta ascendente. Outros sinais incluem o 'sinal do cálcio' (separação da calcificação da íntima da borda externa da aorta > 1 cm), derrame pleural (geralmente à esquerda) e alteração do contorno do botão aórtico. Contudo, uma radiografia normal não exclui o diagnóstico, sendo necessária a realização de Angio-TC, Ecocardiograma Transesofágico ou Ressonância Magnética para confirmação.
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