Dissecção de Aorta: Classificação e Conduta Terapêutica

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

As figuras abaixo mostram os achados radiológicos de dois pacientes masculinos, Paciente 1 e Paciente 2, atendidos no serviço médico de urgência com história de dor súbita de forte intensidade em região anterior do tórax. Ambos têm 65 anos de idade e são hipertensos de longa data. Ambos receberam beta bloqueador e analgésico opioide na admissão e estão hemodinamicamente estáveis. Após medicados, a pressão arterial de ambos é de 130/80 mmHg, a frequência cardíaca de 56 bpm, ambos apresentaram redução significativa da dor e não apresentaram intercorrências. Das alternativas abaixo, qual mostra a conduta mais adequada para cada paciente?

Alternativas

  1. A) O Paciente 2 deve ser submetido a tratamento medicamentoso
  2. B) O Paciente 1 deve ser submetido a tratamento endovascular imediato.
  3. C) Paciente 1 deve ser submetido a tratamento medicamentoso.
  4. D) O Paciente 2 deve ser submetido a tratamento endovascular imediato.

Pérola Clínica

Dissecção Aórtica: Tipo A (ascendente) → cirurgia; Tipo B (descendente) → tratamento medicamentoso (se não complicada).

Resumo-Chave

A dissecção de aorta é classificada em Tipo A (envolve aorta ascendente) e Tipo B (não envolve aorta ascendente). O tratamento do Tipo A é cirúrgico de emergência, enquanto o Tipo B não complicado é inicialmente medicamentoso, com controle rigoroso da pressão arterial e frequência cardíaca.

Contexto Educacional

A dissecção de aorta é uma emergência cardiovascular grave, caracterizada pela separação das camadas da parede aórtica, criando um falso lúmen. A dor torácica súbita e intensa, frequentemente descrita como 'dilacerante', é o sintoma cardinal. A hipertensão arterial é o principal fator de risco. A classificação de Stanford (Tipo A e Tipo B) é fundamental para guiar a conduta terapêutica. A dissecção Tipo A, que envolve a aorta ascendente, é uma emergência cirúrgica absoluta devido ao alto risco de complicações fatais, como ruptura, tamponamento cardíaco e insuficiência aórtica. Já a dissecção Tipo B, que afeta apenas a aorta descendente, é geralmente manejada clinicamente, desde que não haja complicações. O tratamento inicial para ambos os tipos visa o controle rigoroso da pressão arterial e da frequência cardíaca para reduzir o estresse de cisalhamento na parede aórtica. O tratamento medicamentoso para dissecção Tipo B não complicada inclui betabloqueadores (para reduzir a FC e a força de contração ventricular) e vasodilatadores (para controlar a PA). A intervenção endovascular (TEVAR) ou cirúrgica é reservada para dissecções Tipo B complicadas, que apresentam isquemia de órgãos, ruptura iminente, dor refratária ou expansão progressiva. A decisão terapêutica deve ser individualizada e baseada em achados clínicos e de imagem.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre dissecção de aorta Tipo A e Tipo B?

A dissecção Tipo A (Stanford) envolve a aorta ascendente, com ou sem extensão para a aorta descendente. A dissecção Tipo B envolve apenas a aorta descendente, distal à artéria subclávia esquerda.

Qual é o tratamento inicial para a dissecção de aorta?

O tratamento inicial para ambos os tipos envolve controle agressivo da pressão arterial (PAS entre 100-120 mmHg) e frequência cardíaca (FC < 60 bpm) com betabloqueadores e vasodilatadores para reduzir o estresse na parede aórtica.

Quando a cirurgia é indicada na dissecção de aorta?

A cirurgia é indicada de emergência para todas as dissecções Tipo A. Para dissecções Tipo B, a cirurgia ou tratamento endovascular (TEVAR) é reservado para casos complicados, como ruptura, isquemia de órgãos, dor refratária ou expansão rápida do aneurisma.

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