HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020
Um homem de 65 anos é admitido no pronto-atendimento do Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais com a queixa de dor retroesternal de início súbito, lancinante, há aproximadamente 60 minutos, associada a sudorese fria e dispneia aos pequenos esforços. É tabagista e portador de hipertensão arterial sistêmica, em uso irregular de enalapril e anlodipino. Ao exame físico, está inquieto, ansioso e sudorético. Os dados vitais são PA170/100mmHg, FC 90bpm, FR 25ipm, SpO2 em ar ambiente 94%. A ausculta respiratória revela crepitações teleinspiratórias discretas nas bases pulmonares. O exame cardiovascular revela assimetria de pulsos radiais, ritmo cardíaco regular, sopro diastólico aspirativo na borda paraesternal esquerda, suave, de intensidade II/VI. Não há serviço de hemodinâmica no Hospital. Eletrocardiograma da admissão: infradesnivelamento de 3mm do segmento ST em V1 a V4 e supradesnivelamento de 2,5mm em V7 e V8. Assinale a alternativa CORRETA sobre o caso deste paciente.
Dor torácica lancinante + assimetria de pulsos + sopro diastólico novo → suspeitar dissecção de aorta.
O quadro clínico (dor lancinante, assimetria de pulsos, sopro diastólico novo) e as alterações eletrocardiográficas atípicas (infra em V1-V4 e supra em V7-V8) são altamente sugestivos de dissecção de aorta, que pode mimetizar SCA. O ecocardiograma transesofágico é um método rápido e eficaz para confirmar o diagnóstico em emergência.
A dissecção de aorta aguda é uma emergência cardiovascular com alta mortalidade, exigindo diagnóstico e tratamento imediatos. O quadro clínico clássico envolve dor torácica ou dorsal súbita, intensa e lancinante, frequentemente descrita como "rasgando". Fatores de risco incluem hipertensão arterial sistêmica (presente no paciente), aterosclerose e tabagismo. O diagnóstico diferencial com síndrome coronariana aguda (SCA) é crucial, pois ambas as condições podem apresentar dor torácica e alterações eletrocardiográficas. No entanto, a presença de assimetria de pulsos radiais, um sopro diastólico aspirativo novo (sugerindo insuficiência aórtica aguda devido ao envolvimento da valva aórtica) e alterações de ECG que não correspondem a um território coronariano específico (como o infradesnivelamento anterior e supradesnivelamento posterior/inferior neste caso, que pode ser atípico para uma única artéria coronária) devem levantar forte suspeita de dissecção. Em um cenário de emergência, especialmente sem serviço de hemodinâmica para uma coronariografia imediata, o ecocardiograma transesofágico (ETE) é um método diagnóstico de escolha. Ele permite visualizar diretamente o flap intimal, a falsa e a verdadeira luz, e avaliar a extensão da dissecção e o envolvimento da valva aórtica, sendo fundamental para guiar a conduta terapêutica, que geralmente é cirúrgica para dissecções tipo A (envolvendo a aorta ascendente). A trombólise, indicada para SCA com supra de ST, seria contraindicada e potencialmente fatal em caso de dissecção de aorta.
Os sintomas clássicos incluem dor torácica ou dorsal súbita, intensa e lancinante, muitas vezes descrita como "rasgando". Sinais físicos podem incluir assimetria de pulsos ou pressão arterial, sopro de insuficiência aórtica nova e déficits neurológicos.
O ETE é um exame rápido, sensível e específico para o diagnóstico de dissecção de aorta, permitindo visualizar a íntima, o flap de dissecção e a presença de insuficiência aórtica, sendo crucial em situações de emergência onde a TC pode não ser imediatamente disponível ou contraindicada.
A dissecção de aorta pode mimetizar SCA. Dicas incluem a natureza da dor (lancinante, migratória), assimetria de pulsos/PA, sopro diastólico novo, e alterações de ECG que não se encaixam em um território coronariano típico, além da ausência de resposta à terapia para SCA.
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