Dissecção Aguda de Aorta Tipo A: Diagnóstico e Conduta

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 48 anos de idade, previamente assintomático, comparece ao PS com dor torácica de forte intensidade, em aperto, com início súbito e irradiação para dorso e região interescapular, há 2 horas. Exame físico: sudoreico, FC 100 bpm, PA 190 x 100 mm Hg nos quatro membros, pulsos rítmicos e presença de sopro diastólico suave, 4+/6+, no foco aórtico. Após análise do eletrocardiograma, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Cirurgia de emergência
  2. B) Angioplastia primária da artéria culpada
  3. C) Passagem de balão intra-aórtico
  4. D) Trombólise com alteplase

Pérola Clínica

Dor torácica súbita, 'rasgando', irradiada para o dorso + sopro aórtico diastólico novo → Dissecção de Aorta Tipo A = Cirurgia de emergência.

Resumo-Chave

A dissecção aórtica aguda do tipo A (Stanford A) é uma emergência cirúrgica absoluta. A presença de um novo sopro de insuficiência aórtica indica envolvimento da valva e aumenta a urgência, pois pode levar a choque cardiogênico e tamponamento cardíaco. O tratamento é cirúrgico imediato.

Contexto Educacional

A dissecção aguda de aorta é uma catástrofe cardiovascular com alta mortalidade, causada por uma laceração na camada íntima da aorta que permite a entrada de sangue e a criação de um falso lúmen. A principal causa é a hipertensão arterial sistêmica crônica. A apresentação clínica clássica é uma dor torácica de início súbito, de intensidade máxima, frequentemente descrita como 'rasgando' e com irradiação para o dorso. A classificação de Stanford é a mais utilizada na prática clínica e guia o tratamento. As dissecções do Tipo A envolvem a aorta ascendente e são consideradas emergências cirúrgicas absolutas. O risco de complicações fatais, como tamponamento cardíaco por ruptura, infarto agudo do miocárdio por oclusão de coronárias ou insuficiência aórtica aguda grave, é altíssimo. O achado de um sopro diastólico novo no foco aórtico é um sinal ominoso de envolvimento valvar. O manejo inicial na sala de emergência, enquanto se confirma o diagnóstico com angiotomografia, foca no controle agressivo da pressão arterial (PAS 100-120 mmHg) e da frequência cardíaca (FC ≈ 60 bpm) com betabloqueadores e vasodilatadores intravenosos. Contudo, para a dissecção Tipo A, essa é apenas uma ponte para o tratamento definitivo, que é a correção cirúrgica de emergência para substituir o segmento dissecado da aorta ascendente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme para dissecção de aorta em um paciente com dor torácica?

Os sinais clássicos incluem dor de início súbito e intensidade máxima desde o início, caráter 'rasgando' ou 'lancinante', irradiação para a região interescapular, assimetria de pulsos ou de pressão arterial entre os membros, e um novo sopro de regurgitação aórtica.

Qual a conduta inicial na suspeita de dissecção aórtica antes da cirurgia?

O manejo clínico imediato visa controlar a pressão arterial e a frequência cardíaca para reduzir o estresse na parede aórtica. Utiliza-se um betabloqueador intravenoso (ex: esmolol) para atingir FC ~60 bpm, seguido por um vasodilatador (ex: nitroprussiato) para baixar a PAS para 100-120 mmHg, enquanto se prepara para a cirurgia.

Como a classificação de Stanford para dissecções aórticas guia o tratamento?

A classificação de Stanford é prática: Tipo A envolve a aorta ascendente e é sempre uma emergência cirúrgica devido ao alto risco de ruptura para o pericárdio, dissecção coronariana ou insuficiência aórtica aguda. Tipo B se restringe à aorta descendente e, se não complicada, o tratamento inicial é clínico.

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