Dissecção de Aorta Stanford A: Diagnóstico e Conduta

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 62 anos de idade, procura pronto atendimento por dor em região torácica há uma hora. Tem antecedente pessoal de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, ambas com tratamento irregular. Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, frequência cardíaca de 115 bpm e pressão arterial de 180x110 mmHg. Os exames cardiopulmonar e abdominal estão normais. Realizou a tomografia mostrada a seguir: Qual é a principal hipótese diagnóstica e o tratamento indicado para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Dissecção aguda de aorta Stanford B e tratamento não operatório.
  2. B) Dissecção aguda de aorta DeBakey III e tratamento cirúrgico.
  3. C) Dissecção aguda de aorta Stanford A e tratamento cirúrgico.
  4. D) Dissecção aguda de aorta DeBakey I e tratamento não operatório.

Pérola Clínica

Stanford A (aorta ascendente) = Cirurgia de Emergência; Stanford B = Manejo Clínico inicial.

Resumo-Chave

A dissecção de aorta Stanford A envolve a aorta ascendente e exige intervenção cirúrgica imediata devido ao risco iminente de ruptura, tamponamento cardíaco ou AVC.

Contexto Educacional

A dissecção de aorta é uma das causas mais críticas de dor torácica aguda. A fisiopatologia envolve uma laceração na túnica íntima que permite a entrada de sangue na camada média, criando uma falsa luz. A classificação de Stanford simplifica a decisão terapêutica: A (Ascendente) = Cirurgia; B (Baixa/Descendente) = Bloqueador (Clínico). O diagnóstico padrão-ouro na emergência é a Angiotomografia de Tórax e Abdome, que define a extensão e o envolvimento de ramos viscerais.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre Stanford A e B?

A classificação de Stanford divide as dissecções baseada no envolvimento da aorta ascendente. O tipo A envolve a aorta ascendente (independente do local de origem da lacrimejamento), enquanto o tipo B envolve apenas a aorta distal à artéria subclávia esquerda. Essa distinção é vital pois o tipo A é uma emergência cirúrgica, enquanto o tipo B costuma ser manejado clinicamente com controle de pressão e frequência cardíaca, a menos que haja complicações.

Por que a dissecção Stanford A é cirúrgica?

A dissecção que envolve a aorta ascendente tem uma mortalidade extremamente alta (cerca de 1-2% por hora nas primeiras 24-48h). As complicações fatais incluem ruptura para o espaço pericárdico causando tamponamento, dissecção das artérias coronárias (causando IAM), insuficiência aórtica aguda grave ou extensão para os vasos da base causando acidente vascular cerebral (AVC).

Qual o manejo pressórico inicial na dissecção?

O objetivo é reduzir a pressão arterial sistólica para 100-120 mmHg e a frequência cardíaca para <60 bpm para diminuir o estresse na parede aórtica (dP/dt). O uso de betabloqueadores intravenosos (como esmolol ou labetalol) é a primeira linha, podendo-se associar vasodilatadores como o nitroprussiato de sódio se necessário após o bloqueio adrenérgico.

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