HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019
Qual dos achados ao exame físico não é evidenciado no quadro de Dissecção Aguda de Aorta?
Dissecção de Aorta: Dor súbita, pulsos assimétricos, sopro IA. Sopro IT aguda NÃO é achado típico.
A dissecção aguda de aorta é uma emergência médica com alta mortalidade. Seus achados ao exame físico são variados e dependem da extensão e localização da dissecção. Embora possa causar insuficiência aórtica, tamponamento cardíaco ou síndromes compressivas, um sopro de insuficiência tricúspide aguda não é um achado típico ou esperado.
A dissecção aguda de aorta é uma emergência cardiovascular grave, caracterizada pela separação das camadas da parede aórtica, criando um falso lúmen. Sua incidência é relativamente baixa, mas a mortalidade é extremamente alta se não for diagnosticada e tratada rapidamente. A dor torácica ou dorsal súbita e intensa, frequentemente descrita como 'rasgando' ou 'dilacerando', é o sintoma mais comum e deve sempre levantar a suspeita. O diagnóstico da dissecção de aorta é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, e confirmado por exames de imagem como angiotomografia, ressonância magnética ou ecocardiograma transesofágico. No exame físico, a assimetria de pulsos ou pressão arterial entre os membros, a presença de um sopro de insuficiência aórtica aguda (diastólico), e sinais de isquemia de órgãos (neurológica, renal, mesentérica) são achados cruciais. A dissecção pode se estender para o pericárdio, causando tamponamento cardíaco, ou comprimir nervos e estruturas adjacentes, levando a síndromes como a de Horner ou disfagia/rouquidão. É importante notar que um sopro de insuficiência tricúspide aguda não é um achado típico da dissecção de aorta. Embora a dissecção possa afetar a valva aórtica, causando insuficiência aórtica, não há um mecanismo direto que cause insuficiência tricúspide aguda como manifestação primária da dissecção. O tratamento é uma emergência cirúrgica para dissecções tipo A (envolvendo a aorta ascendente) e geralmente clínico para dissecções tipo B (apenas aorta descendente), com controle rigoroso da pressão arterial e frequência cardíaca.
Os achados clássicos incluem dor torácica súbita e lancinante, pulsos assimétricos ou ausentes, diferença de pressão arterial entre os membros, e sinais de insuficiência aórtica aguda (sopro diastólico). Pode haver também sinais de isquemia de órgãos, como acidente vascular cerebral ou isquemia de membros.
A dissecção de aorta pode se estender para o pericárdio, causando um hemopericárdio. Se o acúmulo de sangue no pericárdio for rápido e significativo, pode levar a um tamponamento cardíaco, manifestado pela tríade de Beck: hipotensão, bulhas cardíacas abafadas e estase jugular, além de pulso paradoxal.
A Síndrome de Horner (miose, ptose, anidrose) pode ocorrer devido à compressão ou lesão do gânglio estrelado simpático cervical pela dissecção. Disfagia e rouquidão agudas podem ser causadas pela compressão do esôfago ou do nervo laríngeo recorrente (ramo do vago) por um aneurisma ou hematoma dissecante, especialmente em dissecções da aorta torácica descendente.
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