SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um homem idoso apresenta-se em serviço de emergência com relato de dor torácica retroesternal de forte intensidade (10 de 10 em escala numérica) há cerca de uma hora, em rasgante, com irradiação para o dorso. Previamente hipertenso, com uso irregular de medicações, ao exame físico da admissão, estava lúcido e orientado, com fácies de dor, sudoreico, com pressão arterial de MSD 168 x 96 mmHg e MSE 130 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 124 bpm, frequência respiratória de 20 rpm, temperatura de 36,7 ⁰C e saturação de 98%. Foram realizadas medidas de estabilização e exames complementares (mostrados a seguir).Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a conduta a ser adotada após os resultados dos últimos exames realizados.
Dor torácica rasgante + diferença PA entre membros + idoso hipertenso → Dissecção de Aorta (urgência cirúrgica).
O quadro clínico de dor torácica retroesternal de forte intensidade, em rasgante, com irradiação para o dorso, associado à diferença de pressão arterial entre os membros superiores, é altamente sugestivo de dissecção aguda de aorta. Esta é uma emergência médica que requer intervenção cirúrgica imediata, especialmente se for uma dissecção tipo A (envolvendo a aorta ascendente).
A dissecção aguda de aorta é uma condição catastrófica com alta mortalidade, exigindo reconhecimento e tratamento imediatos. Caracteriza-se pela separação das camadas da parede aórtica, formando um falso lúmen. A incidência é maior em pacientes idosos, hipertensos e com doenças do tecido conjuntivo. A apresentação clínica clássica envolve dor torácica ou dorsal súbita, de forte intensidade, descrita como "rasgante" ou "dilacerante", que pode irradiar para o pescoço, mandíbula ou abdome. O exame físico pode revelar assimetria de pulsos ou diferença de pressão arterial entre os membros superiores, sopros de insuficiência aórtica e sinais de má perfusão em órgãos-alvo. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como angiotomografia de tórax e abdome, ecocardiograma transesofágico ou ressonância magnética. A dissecção de aorta é classificada em tipo A (envolve a aorta ascendente) ou tipo B (não envolve a aorta ascendente). O tratamento da dissecção de aorta tipo A é uma emergência cirúrgica, visando a reparação da aorta e a prevenção de ruptura ou insuficiência aórtica grave. O manejo inicial inclui controle intensivo da pressão arterial e frequência cardíaca para reduzir o estresse na parede aórtica. A trombólise é contraindicada. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo crucial o encaminhamento imediato para um centro cirúrgico especializado.
Os sinais clássicos incluem dor torácica ou dorsal súbita, de forte intensidade, descrita como rasgante ou lancinante, e pode haver diferença de pressão arterial entre os membros superiores ou pulsos assimétricos.
A diferença de pressão arterial entre os membros superiores sugere comprometimento de um dos ramos da aorta (como a artéria subclávia), indicando que a dissecção pode estar afetando o fluxo sanguíneo para aquele membro.
A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, controle rigoroso da pressão arterial e frequência cardíaca, e confirmação diagnóstica por exames de imagem (angiotomografia). Em caso de dissecção tipo A, o encaminhamento para cirurgia de urgência é mandatório.
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