MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 62 anos, com histórico de hipertensão arterial de longa data e tabagismo (45 anos-maço), é admitido na unidade de emergência com queixa de dor súbita, de caráter 'em rasgadura', localizada na região interescapular e com irradiação para o tórax anterior, iniciada há 40 minutos. Ao exame físico, o paciente apresenta-se inquieto, pálido e diaforético. A pressão arterial medida no membro superior direito é de 198x110 mmHg, enquanto no membro superior esquerdo é de 172x95 mmHg. A frequência cardíaca é de 112 bpm e a frequência respiratória é de 24 irpm. A ausculta pulmonar e cardíaca não revela sopros ou estertores. Observe a radiografia de tórax realizada no leito logo após a admissão. Com base na principal hipótese diagnóstica e no achado radiológico, qual a conduta imediata mais adequada para este paciente?
Dissecção de Aorta → Beta-bloqueador ANTES de Vasodilatador (Alvo FC < 60).
O controle hemodinâmico na dissecção de aorta visa reduzir a força de ejeção ventricular (dP/dt) para impedir a progressão da lâmina de dissecção.
A dissecção aguda de aorta é uma emergência médica catastrófica com alta mortalidade nas primeiras horas. O quadro clássico envolve dor súbita, intensa, descrita como 'em rasgadura', frequentemente irradiando para o dorso, associada a hipertensão grave e assimetria de pulsos ou pressão arterial entre os membros superiores. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica agressiva. O uso de beta-bloqueadores de ação curta, como o esmolol intravenoso, é preferencial por permitir um ajuste fino dos parâmetros. A redução da frequência cardíaca deve preceder a redução da pressão arterial sistólica. Somente se a PA permanecer acima do alvo após a bradicardização é que se adicionam vasodilatadores potentes. A confirmação diagnóstica por angiotomografia de tórax e abdome é o padrão-ouro, mas o tratamento farmacológico deve ser instituído imediatamente diante da suspeita clínica forte.
O objetivo primordial é reduzir o dP/dt (a velocidade de subida da pressão ventricular), que é a força que propaga a dissecção. O beta-bloqueador reduz tanto a frequência cardíaca quanto a contratilidade miocárdica. Se um vasodilatador puro como o nitroprussiato for usado primeiro, a queda da PA causará taquicardia reflexa, aumentando o dP/dt e piorando a dissecção.
Na fase aguda da dissecção de aorta, deve-se buscar uma frequência cardíaca inferior a 60 bpm e uma pressão arterial sistólica entre 100 e 120 mmHg (ou a menor pressão que mantenha a perfusão de órgãos vitais), visando estabilizar a lesão vascular.
A dissecção de aorta tipo A (que envolve a aorta ascendente) é sempre uma emergência cirúrgica devido ao risco de ruptura, tamponamento cardíaco ou oclusão de coronárias. A tipo B (aorta descendente) geralmente é tratada clinicamente, a menos que haja complicações como isquemia de órgãos, dor persistente ou expansão aneurismática.
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