HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022
Homem, 82 anos de idade, com antecedente de hipertensão arterial de tratamento irregular, procura o pronto-socorro por dor torácica de forte intensidade (nota 10 em 10), de início há 1 hora, irradiada para dorso, sem náuseas ou vômitos. Apresentou um episódio de síncope com duração menor do que 1 minuto no caminho até o hospital. À avaliação inicial paciente encontra-se em MEG, palidez cutânea, sudorese, fáceis de dor e ansioso, Glasgow 15; glicemia capilar de 130 mg/dL; pressão arterial membro superior direito 240x120 mmHg e membro superior esquerdo 180 x 90 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, frequência respiratória 28 rpm, satA 2 97%; ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações significativas. Paciente foi levado imediatamente a sala de emergência. As medidas terapêuticas medicamentosas indicadas para o tratamento da doença que motivou a procura ao PS para esta paciente são:
Dissecção Aorta: dor torácica intensa + assimetria PA + síncope → controle FC/PA (betabloqueador + vasodilatador).
A dissecção aguda de aorta é uma emergência cardiovascular com alta mortalidade. O controle agressivo da frequência cardíaca e da pressão arterial é crucial para reduzir o estresse na parede aórtica e prevenir a progressão da dissecção. Betabloqueadores são a primeira linha para reduzir a FC e a força de cisalhamento, seguidos por vasodilatadores como nitroprussiato para controle da PA.
A dissecção aguda de aorta é uma emergência cardiovascular grave, caracterizada pela separação das camadas da parede aórtica, formando um falso lúmen. Sua incidência é baixa, mas a mortalidade é extremamente alta se não tratada prontamente. É crucial para o residente reconhecer rapidamente os sinais e sintomas para um diagnóstico e manejo eficazes. A fisiopatologia envolve uma ruptura intimal que permite a entrada de sangue na camada média, criando um plano de dissecção. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por dor torácica súbita e intensa, irradiada para o dorso, assimetria de pulsos ou pressão arterial, e pode ser confirmado por angiotomografia. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco como hipertensão arterial sistêmica descontrolada. O tratamento inicial visa estabilizar o paciente e prevenir a progressão da dissecção. O manejo farmacológico inclui o controle rigoroso da frequência cardíaca e da pressão arterial com betabloqueadores (como metoprolol) para reduzir a força de cisalhamento, seguidos por vasodilatadores (como nitroprussiato de sódio) para atingir as metas pressóricas. A cirurgia é frequentemente indicada para dissecções tipo A (envolvendo a aorta ascendente).
A dissecção aguda de aorta tipicamente se manifesta com dor torácica súbita e intensa, irradiada para o dorso, muitas vezes descrita como 'rasgando'. Pode haver assimetria de pulsos ou pressão arterial entre os membros, e sintomas neurológicos como síncope.
O controle rigoroso da frequência cardíaca e da pressão arterial é fundamental para reduzir o estresse de cisalhamento na parede aórtica e limitar a propagação da dissecção, diminuindo o risco de ruptura e outras complicações.
Betabloqueadores são a primeira linha porque reduzem tanto a frequência cardíaca quanto a contratilidade miocárdica, diminuindo a força de cisalhamento (dP/dt) na parede aórtica. Vasodilatadores como nitroprussiato devem ser adicionados após o controle da FC.
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