Disreflexia Autonômica: Risco em Lesão Medular Alta

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2015

Enunciado

Ao realizar estudo urodinâmico em pacientes com bexiga neurogênica e lesão medular torácica alta (acima de T6), deve-se ter cuidado ao se infundir o soro lentamente pelo risco de ocorrer:

Alternativas

  1. A) disreflexia autonômica com taquicardia e hipertensão arterial.
  2. B) ruptura da cúpula da bexiga com extravasamento de urina para a cavidade peritoneal.
  3. C) sepsis de origem urinária.
  4. D) hematúria.

Pérola Clínica

Lesão medular acima T6 + distensão vesical (urodinâmica) → Disreflexia Autonômica (hipertensão, bradicardia/taquicardia).

Resumo-Chave

Pacientes com lesão medular acima de T6 têm risco de disreflexia autonômica, uma emergência médica caracterizada por uma resposta simpática descontrolada a estímulos nocivos abaixo da lesão, como a distensão vesical durante um estudo urodinâmico. Isso pode levar a hipertensão grave e bradicardia reflexa (ou taquicardia).

Contexto Educacional

A bexiga neurogênica é uma disfunção vesical resultante de uma lesão neurológica, comum em pacientes com lesão medular. Em indivíduos com lesões medulares torácicas altas, especificamente acima de T6, há um risco significativo de desenvolver uma condição conhecida como disreflexia autonômica. Esta é uma emergência médica que exige reconhecimento e manejo imediatos para prevenir complicações sérias. A disreflexia autonômica é desencadeada por estímulos nocivos abaixo do nível da lesão medular, como distensão vesical (comum durante um estudo urodinâmico ou cateterismo), impactação fecal, úlceras de pressão ou infecções. A ausência de controle inibitório cerebral sobre o sistema nervoso simpático abaixo da lesão leva a uma resposta simpática maciça e desregulada, resultando em vasoconstrição periférica generalizada e hipertensão arterial súbita e grave. Os sintomas incluem hipertensão, cefaleia latejante, sudorese profusa acima da lesão, piloereção e bradicardia reflexa (embora taquicardia também possa ocorrer). Durante procedimentos como o estudo urodinâmico, a infusão de soro deve ser feita com extrema cautela e monitoramento rigoroso da pressão arterial. O tratamento envolve a identificação e remoção do estímulo desencadeante e, se necessário, o uso de agentes anti-hipertensivos de ação rápida para controlar a pressão arterial.

Perguntas Frequentes

O que é disreflexia autonômica e quais são seus principais sintomas?

Disreflexia autonômica é uma síndrome potencialmente fatal que ocorre em pacientes com lesão medular acima de T6. É caracterizada por uma resposta simpática descontrolada a estímulos nocivos abaixo da lesão, manifestando-se com hipertensão arterial súbita e grave, cefaleia latejante, sudorese profusa acima da lesão e bradicardia reflexa (ou taquicardia).

Por que pacientes com lesão medular acima de T6 são mais suscetíveis à disreflexia autonômica?

A lesão medular acima de T6 impede que os impulsos inibitórios do cérebro alcancem os centros simpáticos abaixo da lesão. Quando um estímulo nocivo (como distensão vesical ou intestinal) ocorre abaixo da lesão, há uma resposta simpática não controlada, resultando em vasoconstrição generalizada e hipertensão.

Quais cuidados devem ser tomados durante um estudo urodinâmico em pacientes com lesão medular alta?

Durante um estudo urodinâmico, a infusão de soro pode causar distensão vesical, um potente gatilho para disreflexia autonômica. É crucial monitorar a pressão arterial de perto, infundir o soro lentamente e estar preparado para esvaziar a bexiga rapidamente ou administrar vasodilatadores se a disreflexia ocorrer.

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