CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
O uso dos dispositivos abaixo é mais provável em qual dos pacientes representados pelas fotos de biomicroscopia anterior a seguir?
Implantes de drenagem → indicados em glaucomas refratários ou falha de trabeculectomia prévia.
Os dispositivos de drenagem (como o tubo de Ahmed ou Baerveldt) são visualizados na câmara anterior durante a biomicroscopia, sendo essenciais no manejo do glaucoma avançado.
O manejo cirúrgico do glaucoma evoluiu significativamente com o aprimoramento dos dispositivos de drenagem. Diferente da trabeculectomia, que depende da patência de um óstio escleral e da modulação da cicatrização conjuntival, os implantes utilizam um tubo de silicone para garantir a comunicação entre o segmento anterior e o espaço subtenoniano. A escolha entre implantes valvulados (como o de Ahmed) e não valvulados (como o de Baerveldt) depende do perfil de risco do paciente e da necessidade de redução imediata da pressão intraocular. A análise por biomicroscopia é a ferramenta padrão-ouro no pós-operatório para garantir a integridade do dispositivo. O posicionamento adequado é crucial: o tubo deve estar paralelo ao plano da íris e manter uma distância segura do endotélio corneano, uma vez que o contato crônico leva à perda acelerada de células endoteliais e eventual ceratopatia bolhosa. Este conhecimento é vital para residentes de oftalmologia tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento clínico.
Os dispositivos de drenagem são indicados principalmente em casos de glaucoma refratário, onde a terapia medicamentosa máxima e a trabeculectomia falharam ou têm alta probabilidade de falha. Exemplos incluem glaucoma neovascular, glaucoma uveítico, glaucoma pós-transplante de córnea e glaucoma congênito complexo. Eles funcionam criando uma via alternativa para o escoamento do humor aquoso da câmara anterior para um reservatório (prato) localizado no espaço subconjuntival posterior.
Na biomicroscopia anterior, o examinador deve localizar a ponta do tubo na câmara anterior. É fundamental observar se o tubo está bem posicionado (longe do endotélio corneano para evitar descompensação e longe da íris para evitar oclusão), se há patência do lúmen e se não há contato com o cristalino em pacientes fáticos. Também avalia-se a presença de fibrina ou sangue que possa obstruir a extremidade do dispositivo.
As complicações precoces incluem hipotonia profunda, hifema e obstrução do tubo por fibrina ou coágulos. Complicações tardias envolvem a erosão do tubo através da conjuntiva, descompensação endotelial corneana por contato crônico, diplopia (devido ao efeito de massa do prato sobre os músculos extraoculares) e falha por encapsulamento da bolha ao redor do prato, o que limita a absorção do humor aquoso.
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