SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 9 meses de idade foi levado à emergência por seus pais, os quais relataram que, há uma semana, o filho iniciou com quadro de coriza nasal e tosse. Porém, na última noite, iniciou com febre de 38 °C e parecia estar cansado, com a respiração ofegante; inclusive, não está conseguindo mamar. Faz acompanhamento com pediatra e tem todas as vacinas em dia. O paciente tem um irmão de 6 anos de idade, que é asmático, e o pai também tem asma. Ao exame físico, verificaram-se FC = 150 bpm, FR = 80 irpm, SatO2 = 89% em AA e temperatura = 36,5 °C. Observaram-se oroscopia sem petéquias, sem placas, sem lesões, e otoscopia, com membrana timpânica translúcida, sem abaulamento, sem secreção. Ausculta cardíaca BNF, RR, 2t, sem sopro, e ausculta pulmonar MVUD, com sibilos difusos bilateralmente, apresentando tiragem sub e intercostal. Constatou-se também abdome RHA+, depressível; sem megalias, sem fáscies de dor à palpação. A respeito desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A investigação de cansaço/dispneia é uma causa frequente de encaminhamento ao cardiologista.
Cansaço/dispneia são sintomas inespecíficos que frequentemente levam à investigação cardíaca e respiratória.
Cansaço e dispneia são queixas comuns e inespecíficas em pediatria e na clínica geral, que podem ter etiologias diversas, incluindo causas respiratórias, cardíacas, hematológicas ou metabólicas. Dada a sobreposição de sintomas e a gravidade potencial de algumas condições cardíacas, a investigação cardiológica é uma etapa frequente no diagnóstico diferencial desses sintomas, mesmo quando a causa primária é respiratória, como na bronquiolite grave do caso.
A dispneia e o cansaço são queixas comuns na pediatria, que podem indicar uma variedade de condições, desde infecções respiratórias benignas até doenças cardíacas graves. A avaliação inicial deve ser abrangente, considerando a idade do paciente, história clínica, exame físico detalhado e exames complementares para determinar a etiologia e a gravidade do quadro. No caso apresentado, o lactente de 9 meses com quadro de coriza, tosse, febre, taquipneia, sibilos difusos e hipoxemia tem um quadro clínico altamente sugestivo de bronquiolite aguda grave, uma infecção viral comum em lactentes. A história familiar de asma pode indicar uma predisposição a sibilância, mas o quadro agudo é típico de bronquiolite. A saturação de oxigênio de 89% em ar ambiente e a frequência respiratória de 80 irpm indicam gravidade e a necessidade de suporte respiratório. No entanto, a pergunta aborda um conceito mais geral: a frequência de encaminhamento ao cardiologista para investigação de cansaço/dispneia. É crucial reconhecer que, embora o caso específico seja respiratório, cansaço e dispneia são sintomas inespecíficos que podem ser manifestações de doenças cardíacas (congênitas, miocardiopatias, arritmias) ou outras condições sistêmicas. Portanto, em muitos cenários clínicos, a investigação cardiológica é uma etapa necessária no diagnóstico diferencial para descartar causas cardíacas, especialmente se os sintomas forem persistentes, inexplicados ou associados a outros sinais de disfunção cardíaca.
Sinais de alerta de dispneia grave em lactentes incluem taquipneia acentuada (FR > 60-70 irpm), tiragem subcostal, intercostal e supraclavicular, batimento de asas nasais, gemência, cianose, SatO2 < 90% em ar ambiente, dificuldade para mamar e alteração do nível de consciência (letargia ou irritabilidade).
O diagnóstico mais provável para o paciente do caso clínico é bronquiolite aguda grave. Os achados de coriza, tosse, febre baixa, taquipneia, sibilos difusos, tiragem e hipoxemia em um lactente de 9 meses, com história familiar de asma, são clássicos dessa condição viral, geralmente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Dispneia e cansaço são sintomas cardinais de diversas condições, incluindo doenças cardíacas congênitas ou adquiridas, insuficiência cardíaca e arritmias. Em crianças, esses sintomas podem ser sutis ou se sobrepor a doenças respiratórias, tornando a investigação cardiológica necessária para excluir causas cardíacas subjacentes, especialmente quando há falha na resposta ao tratamento respiratório ou achados atípicos.
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