Dispneia Paroxística Noturna: Sinal de Insuficiência Cardíaca

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 69 anos de idade é acompanhado por diabetes mellitus e hipertensão arterial. Refere que tem acordado de madrugada nos últimos dias com falta de ar intensa, que só alivia quando se levanta da cama. A radiografia realizada na unidade de saúde é mostrada a seguir. Ao exame físico, mais provavelmente, o paciente apresente

Alternativas

  1. A) bulhas cardíacas abafadas (muito hipofonéticas).
  2. B) edema unilateral de membro inferior, com empastamento de panturrilha.
  3. C) terceira bulha cardíaca (B3).
  4. D) redução global do murmúrio vesicular e sibilos.

Pérola Clínica

Dispneia paroxística noturna + fatores de risco CV → Insuficiência cardíaca esquerda → B3 ao exame físico.

Resumo-Chave

A dispneia paroxística noturna (DPN), caracterizada por despertar com falta de ar que alivia ao sentar ou levantar, é um sintoma altamente sugestivo de insuficiência cardíaca esquerda. Em pacientes com fatores de risco como DM e HAS, a presença de uma terceira bulha cardíaca (B3) ao exame físico reforça o diagnóstico de disfunção ventricular sistólica ou diastólica significativa.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa resultante de qualquer alteração estrutural ou funcional do enchimento ventricular ou da ejeção de sangue. É uma das principais causas de morbidade e mortalidade global, especialmente em pacientes com fatores de risco como diabetes mellitus e hipertensão arterial. A dispneia paroxística noturna (DPN) é um sintoma clássico de IC esquerda, indicando congestão pulmonar significativa. A fisiopatologia da DPN envolve a redistribuição de fluidos do compartimento extravascular para o intravascular e pulmonar quando o paciente deita, aumentando a pré-carga cardíaca e a congestão pulmonar em um coração já disfuncional. A terceira bulha cardíaca (B3), também conhecida como galope protodiastólico, é um achado no exame físico que indica disfunção ventricular (sistólica ou diastólica) e é um marcador de gravidade na IC. O diagnóstico da IC é clínico, complementado por exames como ecocardiograma e peptídeos natriuréticos. O tratamento da IC visa aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevida, utilizando medicamentos como IECA/BRA, betabloqueadores, diuréticos e antagonistas do receptor de mineralocorticoide. Para residentes, é fundamental correlacionar os sintomas (DPN, ortopneia) e os achados do exame físico (B3, estertores) com a fisiopatologia da IC para um diagnóstico e manejo eficazes.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre dispneia paroxística noturna e ortopneia?

Ortopneia é a dispneia que ocorre ao deitar e melhora ao sentar ou levantar, devido à redistribuição de fluidos. DPN é o despertar súbito com dispneia intensa que só alivia ao se levantar da cama, indicando congestão pulmonar mais severa.

O que significa a terceira bulha cardíaca (B3) no exame físico?

A B3 é um som de baixa frequência que ocorre no início da diástole, durante o enchimento ventricular rápido. É um sinal de disfunção ventricular, geralmente associada a insuficiência cardíaca com ventrículo dilatado e complacência reduzida.

Quais são os principais fatores de risco para insuficiência cardíaca?

Hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, doença arterial coronariana, infarto agudo do miocárdio prévio, valvopatias, cardiomiopatias e uso de substâncias cardiotóxicas são os mais comuns.

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