CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021
Qual o diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, representado na fotografia do segmento anterior do olho?
Lesão gelatinosa/leucoplásica no limbo com vasos nutridores → Suspeitar de Displasia Intraepitelial (OSSN).
A displasia intraepitelial faz parte do espectro da Neoplasia Escamosa da Superfície Ocular (OSSN). Apresenta-se tipicamente como uma lesão elevada no limbo, podendo ser gelatinosa, papiliforme ou leucoplásica.
A displasia intraepitelial conjuntival é uma condição pré-maligna crítica que requer vigilância rigorosa. Ela se origina no epitélio escamoso estratificado e, por definição, não ultrapassa a membrana basal. Quando há invasão do estroma subjacente, a lesão é classificada como carcinoma espinocelular invasivo. Fatores de risco incluem exposição à radiação ultravioleta (UV-B), infecção pelo papilomavírus humano (HPV tipos 16 e 18) e imunossupressão (especialmente HIV). O exame com lâmpada de fenda e o uso de corantes como o rosa bengala ou verde de lissamina ajudam a delimitar a extensão da lesão, pois as células neoplásicas coram-se avidamente devido à quebra da barreira epitelial.
OSSN é um termo abrangente que engloba um espectro de doenças neoplásicas escamosas da conjuntiva e da córnea, variando desde a displasia intraepitelial leve, moderada a grave (carcinoma in situ) até o carcinoma espinocelular invasivo. Clinicamente, manifesta-se como uma lesão unilateral, geralmente localizada na zona interpalpebral junto ao limbo, podendo apresentar aspecto leucoplásico (placa branca), gelatinoso ou papilomatoso, frequentemente acompanhada de vasos nutridores calibrosos.
O diagnóstico diferencial inclui pterígio, pinguécula, ceratose actínica e tumores amelanóticos. A displasia intraepitelial tende a ter bordas mal definidas, opalescência epitelial e vasos intrínsecos anormais (saca-rolhas). Diferente do pterígio, ela não respeita a arquitetura normal da superfície e pode invadir a córnea como um 'hálito de vidro fosco'. A citologia de impressão e a biópsia incisional ou excisional com técnica de 'no-touch' são padrões-ouro para confirmação.
O tratamento pode ser cirúrgico ou clínico. A excisão cirúrgica utiliza a técnica de margens amplas (4mm) associada à crioterapia nas bordas (técnica de Shields). Atualmente, o uso de quimioterápicos tópicos como o 5-Fluorouracil (5-FU), Mitomicina C (MMC) ou Interferon alfa-2b tem ganhado destaque, seja como monoterapia em lesões extensas ou como terapia adjuvante para reduzir a taxa de recorrência, que é alta se as margens não estiverem livres.
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