Displasia Intraepitelial e OSSN: Diagnóstico e Conduta

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Qual o diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, representado na fotografia do segmento anterior do olho?

Alternativas

  1. A) Distrofia de Avellino.
  2. B) Displasia intraepitelial.
  3. C) Ceratopatia em faixa.
  4. D) Distrofia da membrana basal do epitélio da córnea.

Pérola Clínica

Lesão gelatinosa/leucoplásica no limbo com vasos nutridores → Suspeitar de Displasia Intraepitelial (OSSN).

Resumo-Chave

A displasia intraepitelial faz parte do espectro da Neoplasia Escamosa da Superfície Ocular (OSSN). Apresenta-se tipicamente como uma lesão elevada no limbo, podendo ser gelatinosa, papiliforme ou leucoplásica.

Contexto Educacional

A displasia intraepitelial conjuntival é uma condição pré-maligna crítica que requer vigilância rigorosa. Ela se origina no epitélio escamoso estratificado e, por definição, não ultrapassa a membrana basal. Quando há invasão do estroma subjacente, a lesão é classificada como carcinoma espinocelular invasivo. Fatores de risco incluem exposição à radiação ultravioleta (UV-B), infecção pelo papilomavírus humano (HPV tipos 16 e 18) e imunossupressão (especialmente HIV). O exame com lâmpada de fenda e o uso de corantes como o rosa bengala ou verde de lissamina ajudam a delimitar a extensão da lesão, pois as células neoplásicas coram-se avidamente devido à quebra da barreira epitelial.

Perguntas Frequentes

O que é a Neoplasia Escamosa da Superfície Ocular (OSSN)?

OSSN é um termo abrangente que engloba um espectro de doenças neoplásicas escamosas da conjuntiva e da córnea, variando desde a displasia intraepitelial leve, moderada a grave (carcinoma in situ) até o carcinoma espinocelular invasivo. Clinicamente, manifesta-se como uma lesão unilateral, geralmente localizada na zona interpalpebral junto ao limbo, podendo apresentar aspecto leucoplásico (placa branca), gelatinoso ou papilomatoso, frequentemente acompanhada de vasos nutridores calibrosos.

Como diferenciar a displasia intraepitelial de outras lesões de limbo?

O diagnóstico diferencial inclui pterígio, pinguécula, ceratose actínica e tumores amelanóticos. A displasia intraepitelial tende a ter bordas mal definidas, opalescência epitelial e vasos intrínsecos anormais (saca-rolhas). Diferente do pterígio, ela não respeita a arquitetura normal da superfície e pode invadir a córnea como um 'hálito de vidro fosco'. A citologia de impressão e a biópsia incisional ou excisional com técnica de 'no-touch' são padrões-ouro para confirmação.

Qual o tratamento padrão para a displasia intraepitelial?

O tratamento pode ser cirúrgico ou clínico. A excisão cirúrgica utiliza a técnica de margens amplas (4mm) associada à crioterapia nas bordas (técnica de Shields). Atualmente, o uso de quimioterápicos tópicos como o 5-Fluorouracil (5-FU), Mitomicina C (MMC) ou Interferon alfa-2b tem ganhado destaque, seja como monoterapia em lesões extensas ou como terapia adjuvante para reduzir a taxa de recorrência, que é alta se as margens não estiverem livres.

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