CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012
Exame de tomografia mostrado na foto é sugestivo de:
Lesão óssea expansiva + aspecto em 'vidro fosco' na TC = Displasia Fibrosa.
A displasia fibrosa é uma condição benigna onde o osso normal é substituído por tecido fibro-ósseo desorganizado, apresentando uma densidade característica de vidro fosco na tomografia computadorizada.
A displasia fibrosa é uma desordem do desenvolvimento ósseo resultante de uma mutação somática no gene GNAS1. Essa mutação leva à proliferação descontrolada de osteoblastos imaturos. Na região craniofacial, os ossos mais comumente afetados são a maxila e o osso frontal. Radiologicamente, além do padrão em vidro fosco, a lesão costuma ser expansiva, mas mantém uma cortical íntegra, o que ajuda a diferenciá-la de neoplasias malignas. O conhecimento desses padrões é crucial para o radiologista e para o cirurgião de cabeça e pescoço, evitando biópsias desnecessárias em lesões classicamente diagnosticáveis por imagem.
O aspecto de 'vidro fosco' (ground-glass) na tomografia computadorizada refere-se a uma opacificação homogênea do osso afetado, onde não se distinguem as trabéculas ósseas normais nem a cavidade medular. Isso ocorre porque o osso lamelar normal é substituído por uma mistura de tecido fibroso e espículas de osso imaturo (tecido osteoide), que possuem uma densidade intermediária entre o osso cortical denso e o tecido mole.
A displasia fibrosa pode se apresentar de duas formas principais: monostótica, quando afeta apenas um osso (mais comum, cerca de 70% dos casos), e poliostótica, quando afeta múltiplos ossos. A forma poliostótica pode estar associada a endocrinopatias e manchas café-au-lait na pele, configurando a Síndrome de McCune-Albright.
O manejo depende da sintomatologia e do risco de complicações funcionais (como compressão de nervos cranianos ou deformidade estética grave). Em muitos casos assintomáticos, a conduta é apenas observação com exames de imagem seriados. Intervenções cirúrgicas são reservadas para correção de deformidades, dor persistente ou perda de função, visando a remodelação óssea em vez da ressecção completa, que pode ser tecnicamente impossível.
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