UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menino, 1 ano e 10 meses, é avaliado em consulta ambulatorial. Exame físico: escoliose; lordose excessiva; sinal de Trendelenburg e de Galeazzi positivo; limitação de abdução do quadril fletido. A principal hipótese diagnóstica é:
Galeazzi + Trendelenburg + ↓ abdução = Displasia de Desenvolvimento do Quadril (DDH).
A apresentação tardia da displasia de desenvolvimento do quadril manifesta-se com assimetria de membros, marcha claudicante e limitações mecânicas na articulação coxofemoral.
A Displasia de Desenvolvimento do Quadril (DDH) engloba desde a instabilidade neonatal até a luxação completa. Quando o diagnóstico não é feito precocemente (via manobras de Ortolani e Barlow), a criança desenvolve adaptações biomecânicas. A lordose excessiva e a escoliose mencionadas são compensações posturais para o desequilíbrio pélvico. O tratamento em crianças maiores de 18 meses é complexo, geralmente exigindo redução cruenta e osteotomias femorais ou pélvicas.
O sinal de Galeazzi é um teste clínico utilizado para identificar a desigualdade no comprimento dos membros inferiores. Com a criança em decúbito dorsal, os quadris e joelhos são flexionados e os pés mantidos apoiados na mesa de exame. Se um joelho estiver em uma altura inferior ao outro, o teste é positivo, sugerindo encurtamento aparente do fêmur, frequentemente causado por uma luxação unilateral do quadril (como na DDH).
O sinal de Trendelenburg ocorre devido à fraqueza ou desvantagem mecânica da musculatura abdutora do quadril (principalmente o glúteo médio). Na luxação do quadril, a extremidade proximal do fêmur está deslocada superiormente, o que encurta a distância entre a origem e a inserção dos abdutores, impedindo-os de manter a pelve nivelada durante a fase de apoio unipodal da marcha. Isso resulta na queda da pelve para o lado contralateral à lesão.
A limitação da abdução do quadril fletido é um dos sinais mais sensíveis para DDH após o período neonatal. Ela ocorre devido à contratura reflexa e adaptativa da musculatura adutora e ao bloqueio mecânico causado pela cabeça femoral deslocada para fora do acetábulo. Em crianças com quase 2 anos, como no caso, essa restrição é marcante e dificulta a higiene e a troca de fraldas.
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