Displasia do Desenvolvimento do Quadril: Diagnóstico Clínico

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma lactente de 4 meses de vida, primogênita, nascida de parto pélvico a termo, é levada à consulta de rotina com o pediatra. Durante a anamnese, a mãe nega intercorrências neonatais ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, mas relata que sente uma leve resistência ao abrir as pernas da criança para a higiene das fraldas. Ao exame físico, a paciente apresenta-se ativa e reativa, com bom ganho pondero-estatural. O médico observa assimetria das pregas cutâneas na região posterior das coxas e pregas glúteas. Na avaliação da mobilidade articular, nota-se uma limitação significativa da abdução do quadril esquerdo quando comparado ao contralateral. O sinal de Galeazzi é positivo à esquerda, evidenciado pelo desnível dos joelhos com a criança em decúbito dorsal e quadris e joelhos flexionados. As manobras de Ortolani e Barlow foram realizadas e resultaram negativas bilateralmente. Diante do quadro clínico e dos fatores de risco apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Artrite Séptica do Quadril
  2. B) Sinovite Transitória do Quadril
  3. C) Displasia do Desenvolvimento do Quadril
  4. D) Doença de Legg-Calvé-Perthes

Pérola Clínica

Assimetria de pregas + Galeazzi (+) + Abdução ↓ em lactente > 3 meses = DDQ.

Resumo-Chave

Após os 3 meses, as manobras de Ortolani/Barlow perdem sensibilidade devido à contratura muscular; a limitação da abdução e o encurtamento aparente (Galeazzi) tornam-se os sinais principais.

Contexto Educacional

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) abrange um espectro de anormalidades que variam desde uma leve displasia acetabular até a luxação completa. O diagnóstico precoce é crucial para evitar sequelas como claudicação, dor crônica e osteoartrose precoce. No exame físico do lactente jovem, a instabilidade é testada por Ortolani (redução) e Barlow (provocação). Em lactentes maiores, a contratura de adutores limita a abdução, e o encurtamento do fêmur gera o sinal de Galeazzi. O tratamento inicial geralmente envolve o suspensório de Pavlik, que mantém o quadril em flexão e abdução para promover o desenvolvimento acetabular adequado.

Perguntas Frequentes

Por que Ortolani e Barlow podem ser negativos em lactentes maiores?

As manobras de Ortolani e Barlow são mais eficazes no período neonatal imediato, quando a cápsula articular ainda apresenta frouxidão significativa. À medida que o lactente cresce, geralmente após os 2 a 3 meses de vida, ocorre o desenvolvimento de contraturas musculares (especialmente dos adutores) e alterações anatômicas que estabilizam o quadril na posição luxada. Nesses casos, o quadril não pode mais ser reduzido ou luxado manualmente, tornando as manobras negativas, enquanto a limitação da abdução e o sinal de Galeazzi tornam-se os achados clínicos predominantes.

Quais são os principais fatores de risco para DDQ?

Os principais fatores de risco incluem o sexo feminino (devido à sensibilidade à relaxina materna), apresentação pélvica ao nascimento (como no caso clínico), história familiar positiva de DDQ e primogenitura. Outras condições associadas a restrição de espaço intrauterino, como oligodrâmnio e gemelaridade, também aumentam o risco. A presença desses fatores deve motivar um rastreamento rigoroso, mesmo na ausência de achados físicos exuberantes no nascimento.

Qual o exame de imagem padrão-ouro para diagnóstico de DDQ?

A ultrassonografia (método de Graf) é o exame de escolha para lactentes com menos de 4 a 6 meses de idade, pois o núcleo de ossificação da cabeça femoral ainda não é visível ao raio-X. A USG permite avaliar a morfologia do acetábulo e a estabilidade da cabeça femoral. Após os 6 meses, a radiografia simples de bacia torna-se o método preferencial, permitindo a mensuração do índice acetabular e a avaliação das linhas de Hilgenreiner e Perkins.

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