Displasia Broncopulmonar: Diagnóstico e Fisiopatologia

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um recém-nascido do sexo masculino, com idade gestacional de 27 semanas e peso de nascimento de 950g, apresentou síndrome do desconforto respiratório ao nascer, necessitando de administração de surfactante e ventilação mecânica invasiva por 10 dias. Atualmente, o lactente encontra-se com 36 semanas de idade pós-menstrual e permanece em uso de cateter nasal de oxigênio a 0,5 L/min para manter a saturação de oxigênio entre 91% e 95%. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 65 incursões por minuto e leves retrações intercostais, com ausculta pulmonar livre de ruídos adventícios. Sobre o quadro clínico descrito e as principais complicações da prematuridade, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de Displasia Broncopulmonar (DBP) é definido pela necessidade de oxigênio suplementar por pelo menos 28 dias, com a classificação de gravidade realizada às 36 semanas de idade pós-menstrual; sua histopatologia atual é marcada por simplificação alveolar.
  2. B) Para reduzir a incidência de Displasia Broncopulmonar e melhorar o prognóstico visual, a administração de corticoides inalatórios deve ser iniciada de forma rotineira na segunda semana de vida em todos os prematuros com peso inferior a 1.000g.
  3. C) A restrição hídrica rigorosa (abaixo de 100 mL/kg/dia) associada ao uso contínuo de diuréticos de alça, como a furosemida, é a conduta padrão ouro para acelerar o desmame do oxigênio e prevenir o desenvolvimento de hipertensão pulmonar crônica.
  4. D) O rastreamento para Hemorragia Peri-intraventricular deve ser realizado rotineiramente via ultrassonografia transfontanelar no 14º dia de vida, momento que representa o pico de incidência de sangramento da matriz germinativa em prematuros extremos.

Pérola Clínica

DBP = necessidade de O2 por ≥ 28 dias; gravidade avaliada às 36 semanas de idade pós-menstrual.

Resumo-Chave

A 'nova' DBP em prematuros extremos é caracterizada por simplificação alveolar e desenvolvimento vascular pulmonar prejudicado, diferindo da lesão inflamatória clássica.

Contexto Educacional

A Displasia Broncopulmonar (DBP) permanece como uma das principais morbidades da prematuridade extrema. Com o avanço dos cuidados neonatais, incluindo o uso de surfactante e técnicas de ventilação gentil, a apresentação da doença mudou. A fisiopatologia atual foca na interrupção da septação alveolar e da angiogênese pulmonar durante a fase sacular do desenvolvimento. O manejo clínico é desafiador e envolve suporte nutricional adequado, controle rigoroso da oferta hídrica para evitar edema pulmonar e o uso criterioso de oxigênio, mantendo alvos de saturação que evitem tanto a hipóxia quanto a toxicidade oxidativa. O acompanhamento a longo prazo é essencial, dada a maior suscetibilidade a infecções respiratórias e possíveis déficits na função pulmonar até a idade adulta.

Perguntas Frequentes

Como é definido o diagnóstico de Displasia Broncopulmonar (DBP)?

O diagnóstico de DBP é classicamente definido pela necessidade de oxigênio suplementar (FiO2 > 21%) por pelo menos 28 dias de vida. Para prematuros nascidos com menos de 32 semanas de idade gestacional, a gravidade da doença é reavaliada quando o lactente atinge 36 semanas de idade pós-menstrual (ou no momento da alta, o que ocorrer primeiro), classificando-a em leve, moderada ou grave conforme o suporte respiratório necessário.

O que caracteriza a histopatologia da 'nova' DBP?

Diferente da DBP 'clássica' (marcada por fibrose e inflamação intensa), a 'nova' DBP, típica da era do surfactante em prematuros extremos, é caracterizada por uma simplificação alveolar. Isso significa que há uma parada no desenvolvimento pulmonar, resultando em alvéolos maiores, em menor número e com uma área de superfície reduzida para trocas gasosas, além de uma distribuição dismórfica da microvasculatura pulmonar.

Qual o papel dos corticoides na prevenção da DBP?

O uso de corticoides antenatais é fundamental para reduzir a incidência de SDR e DBP. No entanto, o uso de corticoides pós-natais (como a dexametasona) de forma rotineira é controverso. Embora possam facilitar o desmame da ventilação mecânica, estão associados a riscos significativos, como paralisia cerebral e distúrbios do neurodesenvolvimento, devendo ser reservados para casos graves onde o benefício respiratório supera os riscos neurológicos.

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