PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2022
Criança de dois anos de idade, sexo masculino, é atendida no Posto Médico com relato materno de episódios repetidos de tosse e "chieira" no último ano Há relato de episódios semelhantes também no primeiro ano de vida. A mãe relata ainda que a criança nem sempre apresenta febre durante os episódios e que já usou vários medicamentos como "bombinhas e antibióticos, mas que o quadro "sempre volta". Na história pregressa, há relato de prematuridade (32 semanas) devido a complicações maternas na gestação. A criança permaneceu em unidade neonatal por 1 mês e segundo a mãe, usou oxigênio por cânula nasal nesse período. Foi aventada a hipótese de asma para o quadro, no entanto não foi iniciado nenhum tratamento ata o momento. Considerando o caso acima, assinale a alternativa que traz a CORRELAÇÃO ADEQUADA entre possível diagnóstico diferencial para o quadro de asma e os sintomas/sinais ou relatos que podem ser encontrados.
Prematuridade + oxigenioterapia neonatal → Displasia Broncopulmonar como DD de asma em criança.
Em crianças com histórico de prematuridade e necessidade de oxigenioterapia no período neonatal, a displasia broncopulmonar (DBP) é um importante diagnóstico diferencial para quadros de tosse e sibilância recorrentes, que podem ser erroneamente atribuídos à asma. A DBP é uma sequela pulmonar comum da prematuridade, resultando em alterações estruturais e funcionais dos pulmões.
A sibilância e a tosse recorrentes na infância são sintomas comuns que frequentemente levam ao diagnóstico de asma. No entanto, é crucial considerar um amplo espectro de diagnósticos diferenciais, especialmente em crianças com histórico perinatal relevante. A displasia broncopulmonar (DBP) é uma condição crônica pulmonar que afeta recém-nascidos prematuros, especialmente aqueles que necessitaram de suporte ventilatório e oxigenioterapia prolongada. A DBP resulta de uma lesão pulmonar imatura, levando a alterações na arquitetura pulmonar e na função respiratória. Clinicamente, manifesta-se com sibilância, tosse, taquipneia e maior susceptibilidade a infecções respiratórias, mimetizando a asma. O histórico de prematuridade (especialmente <32 semanas) e o uso de oxigenioterapia por mais de 28 dias são marcadores-chave para suspeitar de DBP e direcionar a investigação diagnóstica. O manejo da DBP é complexo e envolve suporte nutricional, vacinação rigorosa, broncodilatadores, diuréticos e, em alguns casos, corticosteroides inalatórios. É fundamental que o médico esteja atento a esses fatores de risco para realizar um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento adequado, evitando a rotulagem precoce e inadequada de asma, que pode levar a um manejo subótimo da condição subjacente e impactar o desenvolvimento pulmonar a longo prazo.
Os principais sinais incluem sibilância, tosse crônica, taquipneia e, em casos mais graves, necessidade de oxigênio suplementar, especialmente em crianças com histórico de prematuridade e ventilação mecânica prolongada.
A diferenciação envolve a história clínica detalhada (prematuridade, uso de oxigênio), exames de imagem (radiografia de tórax, TC) e, por vezes, testes de função pulmonar. A resposta a broncodilatadores pode ser menos consistente na DBP, e a persistência dos sintomas após os 2 anos de idade é um indicativo.
Os principais fatores de risco são prematuridade extrema, baixo peso ao nascer, ventilação mecânica prolongada, uso de oxigênio em altas concentrações e infecções pulmonares no período neonatal, que contribuem para a lesão pulmonar imatura.
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