FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Recém-nascido prematuro extremo (26 3/7 semanas) com peso de nascimento de600g está hoje com 45 dias de vida, peso de 800g e em ventilação mecânica com parâmetros elevados devido à Displasia Broncopulmonar. Dentre as estratégias ventilatórias para esse recém-nascido encontramos:
BPD → ↑ Volume Corrente (6-10 mL/kg) + ↓ Frequência para recrutar áreas fibróticas e evitar aprisionamento.
Na Displasia Broncopulmonar (DBP), a complacência pulmonar é heterogênea e o espaço morto é elevado; volumes correntes maiores com tempos expiratórios longos otimizam a troca gasosa.
A Displasia Broncopulmonar (DBP) representa a principal complicação crônica da prematuridade extrema. Sua fisiopatologia evoluiu da 'velha DBP' (fibrose intensa) para a 'nova DBP' (simplificação alveolar). A estratégia ventilatória deve respeitar a heterogeneidade do parênquima. Estudos mostram que volumes correntes mais generosos associados a tempos inspiratórios e expiratórios mais longos reduzem o trabalho respiratório e melhoram a oxigenação. O objetivo é a estabilização clínica para permitir o crescimento pulmonar, que é a única cura definitiva para a condição.
Diferente da Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) aguda, a Displasia Broncopulmonar (DBP) caracteriza-se por uma patologia de vias aéreas pequenas e parênquima heterogêneo, com aumento significativo do espaço morto fisiológico. Para garantir uma ventilação alveolar eficaz e vencer a resistência aumentada das vias aéreas remodeladas, volumes correntes entre 6 a 10 ml/kg são frequentemente necessários. Essa estratégia permite uma melhor distribuição do gás e recrutamento de áreas com constantes de tempo longas, evitando a atelectasia crônica e melhorando a relação ventilação-perfusão em pulmões com fibrose e enfisema intersticial.
Na DBP, a resistência das vias aéreas é elevada, o que exige um tempo expiratório mais prolongado para permitir o esvaziamento pulmonar completo e evitar o auto-PEEP (aprisionamento aéreo). Ao utilizar uma frequência respiratória mais baixa, o clínico consegue oferecer esse tempo expiratório necessário. Frequências muito elevadas em pulmões com DBP levam à hiperinsuflação dinâmica, o que reduz a complacência efetiva, aumenta o risco de pneumotórax e prejudica o retorno venoso, piorando o estado hemodinâmico do prematuro extremo.
A monitorização deve ser multifatorial, focando na gasometria arterial (permitindo hipercapnia permissiva, geralmente com pH > 7.25), oximetria de pulso (alvos de 91-95%) e, crucialmente, na avaliação clínica do esforço respiratório. O uso de capnografia gráfica ajuda a identificar obstruções e o tempo expiratório ideal. Além disso, o acompanhamento do ganho ponderal e do desenvolvimento neuropsicomotor é essencial, pois a ventilação excessivamente agressiva ou insuficiente impacta diretamente no consumo metabólico e no crescimento do lactente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo