UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020
""Paulo, 35 anos anos de idade, procura atendimento com seu médico de família na UBS Santos Silva, que fica próxima à sua casa. Conseguiu atendimento para o dia seguinte. Chegou à UBS e passou pela triagem com a Técnica Maria, que reforçou a necessidade de acompanhar a pressão arterial. Enquanto aguardava na recepção o atendimento do seu médico. Dr. Guilherme, foi abordado pela enfermeira Juliana que reforçou a presença dele na próxima consulta de sua esposa, que está grávida. Paulo relata que tem trabalhado muito, mas irá se programar, visto que o bebê chega em 3 meses. Dr. Guilherme chama Paulo, na recepção, e após cumprimento afável Dr. Guilherme pergunta em que poderá ajudar. Paulo refere que iniciou uma dor no estômago tipo ""queimação"" que melhora após comer. Diz ter sensação de empachamento durante todo o dia, como se estivesse cheio. Nega emagrecimento, mas relata que aumentou de peso após ter parado de fumar, há aproximadamente 06 meses. Ele relata que as fezes estão com aspecto normal, não tem outras queixas. Relembra que seu avô paterno faleceu em decorrência de um câncer gástrico e que o pai sofre de gastrite crônica, por isso resolveu procurar o médico. Ao exame físico, não apresenta nenhuma alteração significativa"". Se fosse necessário o referenciamento do Paulo ao gastroenterologista, qual dos motivos abaixo seria correto?
Sinais de alarme ou suspeita de neoplasia → Indicação imediata de EDA e referenciamento especializado.
Na Atenção Primária, a dispepsia sem sinais de alarme é manejada inicialmente com orientações e teste/tratamento para H. pylori. A suspeita de neoplasia exige investigação imediata.
A dispepsia é uma das queixas mais comuns na Atenção Primária à Saúde (APS). O desafio do médico de família é diferenciar casos funcionais de patologias orgânicas graves, como a doença ulcerosa péptica e o adenocarcinoma gástrico. O protocolo de Manchester e as diretrizes brasileiras de gastroenterologia enfatizam que a presença de sinais de alerta ou a suspeita clínica de neoplasia (baseada em exame físico ou sintomas consumptivos) são indicações formais de referenciamento para o nível secundário. No caso clínico, embora o paciente apresente sintomas dispépticos típicos que melhoram com a alimentação (sugestivo de úlcera duodenal), a suspeita de neoplasia é o critério que justifica o referenciamento especializado conforme as opções apresentadas.
Os sinais de alarme que indicam a necessidade de Endoscopia Digestiva Alta (EDA) precoce e possível referenciamento incluem perda ponderal não intencional, disfagia progressiva, odinofagia, vômitos persistentes, evidência de sangramento gastrointestinal (melena ou hematêmese), anemia ferropriva inexplicada, massa abdominal palpável ou linfadenopatia (ex: nódulo de Virchow). A idade acima de 45-55 anos no início dos sintomas também é considerada um fator de risco importante para malignidade.
O manejo inicial envolve a exclusão de sinais de alarme. Em pacientes jovens sem sinais de alerta, a estratégia 'test-and-treat' para H. pylori é recomendada. Se o teste for negativo ou os sintomas persistirem após a erradicação, pode-se iniciar o uso de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) por 4 a 8 semanas. Mudanças no estilo de vida, como cessação do tabagismo e fracionamento das refeições, também são fundamentais.
O histórico familiar de câncer gástrico, especialmente em parentes de primeiro grau, aumenta significativamente o risco relativo do paciente. No entanto, para fins de referenciamento imediato em protocolos de triagem da rede pública, a presença de sintomas dispépticos associados a sinais de alarme ou a falha no tratamento clínico inicial costumam ser os gatilhos principais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo