UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 48a, queixa-se de dor de estômago em queimação há dois meses, que melhora parcialmente com omeprazol. Nega azia. Exame físico: bom estado geral, descorada (+/4), hidratado. Abdômen: flácido, indolor, sem visceromegalias. Exames dos demais aparelhos normais. Exames laboratoriais: hemoglobina = 10,9 g/dL; leucócitos = 9.845/mm³; plaquetas = 38.000/mm³. O exame indicado é:
Dispepsia + Sinais de Alarme (Anemia/Plaquetopenia) ou Idade > 45 anos → EDA com Biópsia.
A presença de anemia e plaquetopenia em uma paciente com sintomas dispépticos obriga a realização de EDA para descartar neoplasias e investigar H. pylori como causa secundária.
O manejo da dispepsia é um tema frequente em provas e na prática clínica. A diferenciação entre dispepsia funcional e orgânica baseia-se na presença de sinais de alerta. A associação entre H. pylori e manifestações extra-gastrais, como anemia ferropriva idiopática e PTI, é um tópico avançado de gastroenterologia e hematologia. A erradicação do H. pylori é recomendada em pacientes com PTI para tentar a remissão da plaquetopenia, tornando a biópsia endoscópica um passo fundamental no diagnóstico diferencial.
Existem duas razões principais. Primeiro, a plaquetopenia e a anemia (Hb 10,9) são sinais de alarme que sugerem uma causa orgânica para a dispepsia, como uma neoplasia gástrica com sangramento oculto. Segundo, existe uma associação clínica estabelecida entre a infecção pelo Helicobacter pylori e a Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI). Em alguns pacientes, a erradicação da bactéria pode levar ao aumento da contagem de plaquetas. Portanto, a EDA com biópsia é o exame de escolha para diagnóstico histológico e pesquisa direta do patógeno.
Os sinais de alarme que indicam a necessidade imediata de Endoscopia Digestiva Alta (EDA) incluem: perda ponderal não intencional, anemia ferropriva, disfagia progressiva, odinofagia, vômitos persistentes, massa abdominal palpável, linfadenopatia (ex: linfonodo de Virchow) e história familiar de câncer gástrico em parentes de primeiro grau. Além disso, a idade (geralmente > 45-50 anos, dependendo da diretriz local) é um fator independente para indicação de EDA upfront.
Não como primeira escolha. Embora o teste respiratório da urease e a pesquisa de antígeno fecal sejam excelentes métodos não invasivos para diagnóstico de H. pylori, eles são reservados para pacientes jovens (< 45 anos) sem sinais de alarme (estratégia 'test-and-treat'). Como esta paciente apresenta anemia e plaquetopenia, a avaliação direta da mucosa gástrica por endoscopia é obrigatória para excluir lesões estruturais e malignidade antes de considerar o tratamento apenas para a bactéria.
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