Dispepsia Não Investigada: Manejo Inicial e Tratamento

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 35 anos com queixas de empachamento e eructações pós-prandiais há 3 meses. Nega uso de medicações. O próximo passo no manejo da paciente a ser proposto pelo médico é:

Alternativas

  1. A) testar H. pylori e tratar se positivo.
  2. B) prescrever inibidor da bomba de prótons por 4 a 6 semanas e orientações quanto a alimentação.
  3. C) prescrever inibidor da bomba de prótons por 4 a 6 semanas e tratar H. pylori empiricamente.
  4. D) prescrever inibidor da bomba de prótons por 4 a 6 semanas e testar H. pylori, tratando se positivo.

Pérola Clínica

Dispepsia não investigada em < 60 anos sem sinais de alarme → Tratamento empírico com IBP por 4-6 semanas e orientações dietéticas.

Resumo-Chave

Em pacientes jovens (< 60 anos) com dispepsia não investigada e sem sinais de alarme (disfagia, perda de peso, anemia, sangramento), a abordagem inicial é o tratamento empírico com IBP por 4-6 semanas, juntamente com orientações sobre estilo de vida e dieta.

Contexto Educacional

A dispepsia é um sintoma comum, definido como dor ou desconforto centrado na parte superior do abdome. Quando não há uma causa orgânica identificável após investigação, é classificada como dispepsia funcional. Em pacientes jovens (geralmente < 60 anos) sem sinais de alarme (como perda de peso, disfagia, sangramento gastrointestinal, anemia), a abordagem inicial é conservadora e menos invasiva. A fisiopatologia da dispepsia funcional é complexa e multifatorial, envolvendo alterações na motilidade gástrica, hipersensibilidade visceral, disfunção da acomodação gástrica e fatores psicossociais. Os sintomas de empachamento pós-prandial e eructações são característicos da síndrome de desconforto pós-prandial, um dos subtipos da dispepsia funcional. O manejo inicial para dispepsia não investigada em pacientes jovens sem sinais de alarme geralmente envolve duas estratégias principais: tratamento empírico com inibidores da bomba de prótons (IBP) por 4 a 6 semanas, ou a estratégia "testar e tratar" para *H. pylori*, dependendo da prevalência local da bactéria. Além disso, orientações sobre estilo de vida, como modificações dietéticas (evitar alimentos gordurosos, picantes, cafeína, álcool) e fracionamento das refeições, são fundamentais. A endoscopia digestiva alta é reservada para pacientes com sinais de alarme ou falha do tratamento empírico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme na dispepsia que indicam a necessidade de investigação imediata?

Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal, anemia, vômitos persistentes, massa abdominal palpável e história familiar de câncer gastrointestinal.

Por que o tratamento empírico com IBP é a primeira linha para dispepsia não investigada em jovens?

O tratamento empírico com IBP é a primeira linha porque a maioria dos casos de dispepsia em jovens sem sinais de alarme é funcional ou relacionada à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ou gastrite, condições que respondem bem aos IBPs, evitando exames invasivos desnecessários.

Quando se deve considerar o teste e tratamento para H. pylori na dispepsia?

O teste e tratamento para H. pylori pode ser uma alternativa ao tratamento empírico com IBP, especialmente em regiões de alta prevalência da bactéria. Em pacientes com mais de 60 anos ou com sinais de alarme, a endoscopia com biópsia para H. pylori é geralmente indicada.

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