USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher, 35 anos, queixa-se dor epigástrica associada a náuseas, 2 ou 3 x/semana, há 3 meses. A dor interfere nas suas atividades diárias. Nega perda de peso, vômitos, sangramentos ou disfagia. Evacua 1x/dia, fezes formadas. Sem outros antecedentes. Exame físico: sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Dispepsia sem sinais de alarme em < 60 anos → Teste H. pylori não invasivo.
Pacientes jovens (<60 anos) com dispepsia persistente e sem sinais de alarme (perda de peso, disfagia, sangramento, vômitos persistentes) devem ser inicialmente investigados para infecção por H. pylori através de métodos não invasivos, como o teste respiratório da ureia ou pesquisa de antígeno fecal. A erradicação, se positiva, pode resolver os sintomas.
A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, definida como dor ou desconforto centrado no abdome superior. Em pacientes jovens (<60 anos) sem sinais de alarme, a abordagem inicial é geralmente o "testar e tratar" para H. pylori, devido à alta prevalência da infecção e sua associação com úlcera péptica e dispepsia funcional. Os sinais de alarme são cruciais para estratificar o risco e definir a conduta. A ausência de perda de peso, vômitos, sangramentos ou disfagia na paciente de 35 anos indica um baixo risco para malignidade ou outras doenças graves que exigiriam uma investigação invasiva imediata, como a endoscopia digestiva alta. Portanto, a conduta mais adequada é realizar um teste não invasivo para H. pylori. Se positivo, o paciente deve receber terapia de erradicação. Se negativo, ou se os sintomas persistirem após a erradicação, o manejo pode evoluir para tratamento empírico com inibidores da bomba de prótons ou consideração de dispepsia funcional.
Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, disfagia, odinofagia, vômitos persistentes, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia por deficiência de ferro e massa abdominal palpável.
Os principais métodos não invasivos são o teste respiratório da ureia (TRU) e a pesquisa de antígeno fecal. Ambos possuem alta sensibilidade e especificidade e são preferíveis à endoscopia em pacientes selecionados.
A endoscopia é indicada em pacientes com sinais de alarme, idade > 60 anos, ou naqueles que não respondem à terapia empírica ou à erradicação de H. pylori.
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