Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
Paciente masculino, 52 anos de idade, atendido ambulatorialmente com queixa de dispepsia há cerca de cinco meses. Tabagista, sem comorbidades ou antecedentes cirúrgicos. A respeito da condução do quadro descrito, assinale a alternativa incorreta.
Dispepsia em tabagista >50 anos ou com sintomas de alarme → EDA. Cirurgia de Nissen não é 1ª escolha para DRGE.
A dispepsia em pacientes com fatores de risco como idade avançada (>50-60 anos, dependendo da diretriz) e tabagismo, ou na presença de sintomas de alarme (perda de peso, disfagia, sangramento), exige investigação com endoscopia digestiva alta para excluir malignidade. O tratamento cirúrgico da DRGE é reservado para casos refratários ao tratamento clínico otimizado ou com complicações específicas.
A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, definida como dor ou desconforto na parte superior do abdome. Sua etiologia é multifatorial, podendo variar de causas funcionais a orgânicas graves, como úlceras pépticas e neoplasias. A abordagem inicial depende da idade do paciente e da presença de sintomas de alarme, que indicam a necessidade de investigação mais aprofundada para excluir condições malignas, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo. A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma das causas mais frequentes de dispepsia, caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou lesões. O diagnóstico da DRGE é primariamente clínico, mas a confirmação da exposição anormal ao refluxo pode ser necessária em casos atípicos ou pré-cirúrgicos, através de exames como pHmetria e impedanciometria esofágica. O tratamento da DRGE é inicialmente clínico, com inibidores de bomba de prótons (IBP) e modificações de estilo de vida, como perda de peso e elevação da cabeceira da cama. A cirurgia antirrefluxo, como a fundoplicatura de Nissen, é uma opção para pacientes com DRGE refratária ao tratamento clínico, com complicações ou que desejam evitar o uso contínuo de medicamentos. É crucial que os residentes compreendam a estratificação de risco e as indicações corretas para cada etapa da investigação e tratamento, evitando intervenções desnecessárias ou tardias.
Sintomas de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia por deficiência de ferro, sangramento gastrointestinal, vômitos persistentes e massa abdominal palpável. A presença de qualquer um desses sintomas, ou idade acima de 50-60 anos, justifica a realização de endoscopia digestiva alta.
A cirurgia antirrefluxo, como a fundoplicatura de Nissen, é indicada para pacientes com DRGE que não respondem ao tratamento clínico otimizado com IBP, que apresentam complicações da doença (esôfago de Barrett, estenose), ou que têm dependência de IBP com desejo de suspender a medicação. Não é a primeira escolha de tratamento.
O tabagismo é um fator de risco significativo para diversas doenças gastrointestinais, incluindo úlceras pépticas e neoplasias gástricas e esofágicas. Em pacientes tabagistas com dispepsia, a investigação deve ser mais rigorosa, especialmente se houver outros fatores de risco ou sintomas de alarme, devido ao maior risco de malignidade.
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