Dispepsia em Idosos: Quando Indicar Endoscopia Digestiva Alta

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 77 anos, masculino, tabagista, procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) por queixa de plenitude pós-prandial associado à epigastralgia sem irradiação há 4 meses. Refere emagrecimento não quantificado no período. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Tratar o paciente empiricamente para Helicobacter pylori.
  2. B) Medicar o paciente com inibidor de bomba de prótons e reavaliar em 6 meses.
  3. C) Medicar o paciente com inibidor de bomba de prótons e dar alta para o paciente.
  4. D) Medicar o paciente com inibidor de bomba de prótons e solicitar uma Endoscopia Digestiva Alta.

Pérola Clínica

Dispepsia em idoso com sintomas de alarme (emagrecimento) = EDA obrigatória para excluir malignidade.

Resumo-Chave

Pacientes idosos com dispepsia e sintomas de alarme, como emagrecimento não intencional, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal ou anemia, devem ser submetidos a uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA) de forma prioritária para excluir malignidade, como câncer gástrico ou esofágico. O tratamento empírico com IBP pode ser iniciado enquanto se aguarda a EDA.

Contexto Educacional

A dispepsia, definida como dor ou desconforto na parte superior do abdome, é uma queixa comum na prática clínica. Em pacientes jovens e sem sintomas de alarme, uma abordagem inicial pode incluir o tratamento empírico com inibidores de bomba de prótons (IBP) ou teste e tratamento para Helicobacter pylori. No entanto, a presença de certos fatores e sintomas exige uma investigação mais aprofundada. A fisiopatologia da dispepsia é variada, podendo ser funcional (sem causa orgânica identificável) ou secundária a condições como doença do refluxo gastroesofágico, úlcera péptica, infecção por H. pylori ou, em casos mais graves, malignidades. A idade avançada (geralmente > 60 anos) e a presença de sintomas de alarme, como emagrecimento não intencional, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal ou anemia, são indicativos de um risco aumentado para condições sérias, como câncer gástrico ou esofágico. Nesse cenário, a conduta prioritária é a realização de uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA) para visualização direta da mucosa e biópsias, se necessário, a fim de excluir malignidade ou outras causas orgânicas graves. O tratamento empírico com IBP pode ser iniciado para alívio sintomático enquanto se aguarda a EDA, mas não deve atrasar a investigação diagnóstica. O tabagismo é um fator de risco adicional para câncer gastroesofágico, reforçando a necessidade de investigação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de alarme na dispepsia que justificam uma Endoscopia Digestiva Alta?

Sintomas de alarme incluem emagrecimento não intencional, disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir), sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia por deficiência de ferro, vômitos persistentes e massa abdominal palpável. Idade avançada também é um fator de risco.

Por que o tratamento empírico para H. pylori não é a melhor conduta inicial neste caso?

Embora a infecção por H. pylori seja uma causa comum de dispepsia, a presença de sintomas de alarme e a idade avançada do paciente aumentam significativamente o risco de malignidade. Nesses casos, a investigação invasiva com EDA é prioritária para excluir câncer antes de qualquer tratamento empírico.

Qual a relevância do tabagismo e da idade avançada na investigação da dispepsia?

O tabagismo é um fator de risco conhecido para câncer gástrico e esofágico. A idade avançada também aumenta a incidência dessas malignidades. A combinação de idade > 60 anos e tabagismo, juntamente com sintomas de alarme como emagrecimento, torna a investigação de malignidade imperativa.

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