UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020
Homem de 65 anos vem à consulta com queixa de dispepsia. Relata que os sintomas iniciaram há 3 meses. Nega sinais de alerta, como disfagia, hematêmese, melena, perda de peso ou vômitos incoercíveis. A conduta a ser adotada é:
Dispepsia em >60 anos, mesmo sem sinais de alarme clássicos, requer EDA para excluir malignidade.
Em pacientes com dispepsia de início recente e idade avançada (geralmente >60 anos), a endoscopia digestiva alta é a conduta inicial recomendada, mesmo na ausência de sinais de alarme explícitos como disfagia ou perda de peso. A idade por si só já é um fator de risco para neoplasias gastrointestinais superiores, justificando a investigação invasiva.
A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, caracterizada por dor ou desconforto na região epigástrica. Sua prevalência aumenta com a idade, e a abordagem diagnóstica e terapêutica varia conforme a presença de sinais de alarme e a faixa etária do paciente. É crucial diferenciar a dispepsia funcional daquela secundária a doenças orgânicas, como úlceras pépticas ou neoplasias. A idade avançada é um fator de risco significativo para malignidades gastrointestinais, tornando a investigação mais agressiva uma prioridade. Em pacientes jovens sem sinais de alarme, a estratégia 'testar e tratar' para H. pylori ou a terapia empírica com IBP pode ser adotada. No entanto, para indivíduos acima de 60 anos (o ponto de corte pode variar entre 50 e 60 anos dependendo da diretriz), a endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha inicial, mesmo na ausência de outros sinais de alarme. Isso se deve ao risco aumentado de câncer gástrico nessa faixa etária, e a EDA permite a biópsia de lesões suspeitas e o diagnóstico precoce. O manejo da dispepsia deve sempre considerar o perfil do paciente. A falha em investigar adequadamente um paciente idoso com dispepsia pode atrasar o diagnóstico de condições graves, impactando negativamente o prognóstico. Portanto, a decisão de solicitar uma EDA não deve ser baseada apenas na presença de sinais de alarme clássicos, mas também na idade do paciente e em outros fatores de risco relevantes.
Os sinais de alarme clássicos na dispepsia incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia ferropriva, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), vômitos persistentes e massa abdominal palpável.
A idade avançada, geralmente acima de 60 anos, é considerada um fator de risco independente para neoplasias gastrointestinais superiores, como o câncer gástrico. Por isso, a investigação com endoscopia é prioritária nessa população, mesmo na ausência de outros sinais de alarme.
A terapia empírica com inibidores de bomba de prótons (IBP) pode ser considerada em pacientes jovens (geralmente <60 anos) sem sinais de alarme, após exclusão de infecção por H. pylori. Em idosos, a investigação com EDA é preferível.
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