Dispepsia em Idosos: Quando Indicar Endoscopia Digestiva Alta

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 65 anos vem à consulta com queixa de dispepsia. Relata que os sintomas iniciaram há 3 meses. Nega sinais de alerta, como disfagia, hematêmese, melena, perda de peso ou vômitos incoercíveis. A conduta a ser adotada é:

Alternativas

  1. A)  prescrever inibidor de bomba de próton por 30 dias e reavaliar ao final desse período.
  2. B)  solicitar endoscopia digestiva alta.
  3. C)  prescrever inibidor de bomba de próton e domperidona por 30 dias.
  4. D)  prescrever bloqueador H2 por 30 dias.
  5. E)  orientar os hábitos alimentares e evitar medicar o paciente.

Pérola Clínica

Dispepsia em >60 anos, mesmo sem sinais de alarme clássicos, requer EDA para excluir malignidade.

Resumo-Chave

Em pacientes com dispepsia de início recente e idade avançada (geralmente >60 anos), a endoscopia digestiva alta é a conduta inicial recomendada, mesmo na ausência de sinais de alarme explícitos como disfagia ou perda de peso. A idade por si só já é um fator de risco para neoplasias gastrointestinais superiores, justificando a investigação invasiva.

Contexto Educacional

A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, caracterizada por dor ou desconforto na região epigástrica. Sua prevalência aumenta com a idade, e a abordagem diagnóstica e terapêutica varia conforme a presença de sinais de alarme e a faixa etária do paciente. É crucial diferenciar a dispepsia funcional daquela secundária a doenças orgânicas, como úlceras pépticas ou neoplasias. A idade avançada é um fator de risco significativo para malignidades gastrointestinais, tornando a investigação mais agressiva uma prioridade. Em pacientes jovens sem sinais de alarme, a estratégia 'testar e tratar' para H. pylori ou a terapia empírica com IBP pode ser adotada. No entanto, para indivíduos acima de 60 anos (o ponto de corte pode variar entre 50 e 60 anos dependendo da diretriz), a endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame de escolha inicial, mesmo na ausência de outros sinais de alarme. Isso se deve ao risco aumentado de câncer gástrico nessa faixa etária, e a EDA permite a biópsia de lesões suspeitas e o diagnóstico precoce. O manejo da dispepsia deve sempre considerar o perfil do paciente. A falha em investigar adequadamente um paciente idoso com dispepsia pode atrasar o diagnóstico de condições graves, impactando negativamente o prognóstico. Portanto, a decisão de solicitar uma EDA não deve ser baseada apenas na presença de sinais de alarme clássicos, mas também na idade do paciente e em outros fatores de risco relevantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme clássicos na dispepsia?

Os sinais de alarme clássicos na dispepsia incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia ferropriva, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), vômitos persistentes e massa abdominal palpável.

Por que a idade é um fator de risco para malignidade em pacientes com dispepsia?

A idade avançada, geralmente acima de 60 anos, é considerada um fator de risco independente para neoplasias gastrointestinais superiores, como o câncer gástrico. Por isso, a investigação com endoscopia é prioritária nessa população, mesmo na ausência de outros sinais de alarme.

Quando a terapia empírica com IBP é apropriada para dispepsia?

A terapia empírica com inibidores de bomba de prótons (IBP) pode ser considerada em pacientes jovens (geralmente <60 anos) sem sinais de alarme, após exclusão de infecção por H. pylori. Em idosos, a investigação com EDA é preferível.

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