CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
Um homem de 42 anos procura atendimento com queixa de sensação de plenitude e desconforto abdominal após as refeições, há 3 meses. Ele descreve que, após se alimentar, sente-se “estufado” e relata eructações frequentes, mas nega dor, queimação retroesternal, azia ou regurgitação. O desconforto abdominal é difuso, mas sem irradiação. Ele também apresenta episódios ocasionais de náusea, mas nunca teve vômito. Nega alteração no hábito intestinal, perda de peso ou sangramentos. Ao exame físico, apresenta leve sensibilidade epigástrica à palpação, sem sinais de alarme. Com base no quadro clínico,segundo o ROMA IV, qual é a melhor conduta inicial para manejo deste paciente?
Dispepsia funcional com plenitude/saciedade (Desconforto Pós-prandial) → 1ª linha é procinético + medidas dietéticas, não IBP.
De acordo com os critérios de ROMA IV, a dispepsia funcional é classificada em Síndrome do Desconforto Pós-prandial (SDP) e Síndrome da Dor Epigástrica (SDE). O tratamento deve ser direcionado ao sintoma predominante: procinéticos para SDP (sintomas de motilidade) e supressores de ácido para SDE (sintomas de dor/queimação).
A dispepsia funcional é um dos distúrbios gastrointestinais funcionais mais comuns, caracterizada por sintomas crônicos ou recorrentes no abdômen superior sem uma causa orgânica identificável. Os critérios de ROMA IV são essenciais para o diagnóstico e para guiar uma abordagem terapêutica mais direcionada, classificando a condição em duas síndromes principais: a Síndrome do Desconforto Pós-prandial (SDP) e a Síndrome da Dor Epigástrica (SDE). A SDP, como a do paciente em questão, tem como fisiopatologia principal alterações na motilidade gástrica, como retardo no esvaziamento gástrico e falha na acomodação do fundo gástrico após a refeição. Por isso, as queixas são de plenitude, "estufamento" e saciedade precoce. O manejo inicial foca em medidas comportamentais, como dieta fracionada e com baixo teor de gordura, e no uso de agentes procinéticos, que melhoram a motilidade gástrica. Por outro lado, a SDE é caracterizada por dor ou queimação epigástrica, e sua fisiopatologia pode envolver hipersensibilidade visceral e hipersecreção ácida. Nesses casos, a terapia de primeira linha são os inibidores da secreção ácida, como os Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs). A abordagem correta, baseada na subclassificação dos sintomas, aumenta a eficácia do tratamento e evita o uso desnecessário de medicamentos.
A SDP é caracterizada por plenitude pós-prandial incômoda (sensação desagradável de permanência do alimento no estômago) e/ou saciedade precoce (sensação de estômago cheio logo após iniciar a refeição, desproporcional à quantidade ingerida).
Na presença de sinais de alarme como perda de peso não intencional, disfagia, sangramento gastrointestinal, anemia ou massa abdominal, a investigação com Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é mandatória antes de iniciar qualquer tratamento empírico.
A diferenciação é baseada no sintoma predominante. Na SDP, a queixa principal é o desconforto relacionado à ingestão de alimentos (plenitude, saciedade). Na Síndrome da Dor Epigástrica (SDE), a queixa principal é dor ou queimação na região epigástrica, que pode ou não estar relacionada às refeições.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo