Dispepsia Funcional Pediátrica: Diagnóstico e Manejo

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Menino, 7 anos, apresenta quadro de dor abdominal intermitente há 18 meses. Os eventos, de forte intensidade, são localizados na região epigástrica e duram cerca de 60 minutos, o que faz com que a criança interrompa a alimentação. Há saciedade precoce. Os eventos ocorrem uma vez por semana e são acompanhados por náuseas e eructações. Mãe nega alterações de hábito intestinal. Ausência de antecedentes patológicos relevantes. Exame físico: bom estado geral; corado; hidratado; anictérico; acianótico; ausculta respiratória normal; ritmo cardíaco regular em 2 tempos sem sopros; abdome plano, flácido e indolor, sem visceromegalias. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) dispepsia funcional.
  2. B) dor abdominal funcional.
  3. C) síndrome do intestino irritável.
  4. D) enxaqueca abdominal.

Pérola Clínica

Dor epigástrica crônica em criança, sem sinais de alarme e com saciedade precoce/náuseas/eructações → Dispepsia funcional (critérios Roma IV).

Resumo-Chave

A dor abdominal funcional em crianças é um diagnóstico de exclusão, baseado em critérios clínicos (Roma IV). O caso descreve dor epigástrica intermitente, saciedade precoce, náuseas e eructações, sem alterações do hábito intestinal ou sinais de alarme, o que se encaixa perfeitamente nos critérios para dispepsia funcional.

Contexto Educacional

A dor abdominal funcional em crianças é um problema comum, representando uma parcela significativa das consultas pediátricas. A dispepsia funcional é um subtipo de dor abdominal funcional, caracterizada por sintomas crônicos ou recorrentes localizados na região epigástrica, como dor, queimação, saciedade precoce, plenitude pós-prandial, náuseas e eructações, na ausência de uma causa orgânica identificável. O diagnóstico da dispepsia funcional é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que exigem a presença de sintomas por pelo menos 2 meses antes do diagnóstico. É crucial realizar uma anamnese detalhada e um exame físico completo para excluir sinais de alarme que sugiram uma doença orgânica subjacente, como perda de peso, sangramento gastrointestinal ou disfagia. O tratamento envolve uma abordagem multifacetada, incluindo educação do paciente e família, modificações dietéticas, manejo do estresse e, em alguns casos, farmacoterapia (antiácidos, procinéticos, inibidores da bomba de prótons ou neuromoduladores). O prognóstico é geralmente bom, mas o manejo requer paciência e suporte contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar dispepsia funcional em crianças?

Os critérios de Roma IV para dispepsia funcional em crianças incluem dor epigástrica persistente ou recorrente, saciedade precoce, plenitude pós-prandial, náuseas ou vômitos, sem evidência de doença orgânica que justifique os sintomas.

Como diferenciar dispepsia funcional de outras dores abdominais funcionais?

A dispepsia funcional se caracteriza por sintomas predominantemente epigástricos e relacionados à alimentação (saciedade precoce, náuseas), enquanto a dor abdominal funcional não especificada é mais difusa e a síndrome do intestino irritável envolve alterações do hábito intestinal.

Quais sinais de alarme devem ser investigados em crianças com dor abdominal crônica?

Sinais de alarme incluem perda de peso, retardo de crescimento, sangramento gastrointestinal, disfagia, vômitos persistentes, dor que acorda a criança à noite, artralgia, febre inexplicada e história familiar de doença inflamatória intestinal.

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