USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 53 anos de idade, passa em consulta de retorno ambulatorial. Ele conta que, há 6 meses, tem dor epigástrica em queimação de moderada intensidade, sem irradiação, que piora com alimentação, durando entre 1 a 2 horas. Nega regurgitação, pirose, globus e etilismo. O exame físico é normal. Hemograma completo, TGO/AST, TGP/ALT, FA, GGT, lipase e creatinina estão normais. Ultrassonografia de andar superior do abdome mostrou fígado, baço e vesícula biliar sem anormalidades. Endoscopia digestiva alta identificou uma mucosa enantematosa, a biópsia foi normal e o teste para H. pylori foi negativo. Ele já utilizou omeprazol por 12 semanas e não obteve melhora. Qual é a melhor opção terapêutica neste momento?
Dispepsia funcional refratária a IBP com H. pylori negativo → considerar antidepressivos tricíclicos (amitriptilina).
O paciente apresenta sintomas de dispepsia funcional, refratária ao tratamento com IBP e com H. pylori negativo. Nesses casos, os antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina, são uma opção terapêutica eficaz para modular a percepção da dor visceral.
A dispepsia funcional é um distúrbio gastrointestinal funcional comum, caracterizado por dor ou desconforto epigástrico persistente na ausência de doença orgânica detectável. Afeta uma parcela significativa da população e representa um desafio diagnóstico e terapêutico, exigindo uma abordagem sistemática por parte dos residentes. A fisiopatologia da dispepsia funcional é multifatorial, envolvendo dismotilidade gastrointestinal, hipersensibilidade visceral, inflamação de baixo grau e fatores psicossociais. O diagnóstico é de exclusão, após investigação para afastar causas orgânicas como úlcera péptica, esofagite e infecção por H. pylori. Quando o tratamento inicial com IBP falha e H. pylori é negativo, deve-se considerar outras opções. O tratamento da dispepsia funcional é individualizado. Após a falha dos IBPs e exclusão de H. pylori, os antidepressivos tricíclicos (ATCs) em baixas doses, como a amitriptilina, são uma opção eficaz, atuando na modulação da dor visceral. É crucial que os residentes compreendam a importância de não prolongar tratamentos ineficazes e considerar alternativas para melhorar a qualidade de vida do paciente.
A dispepsia funcional é suspeitada quando há dor ou desconforto epigástrico persistente por pelo menos 3 meses, sem evidência de doença orgânica após investigação (ex: EDA, exames laboratoriais).
Antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina, atuam modulando a percepção da dor visceral e a motilidade gastrointestinal, sendo eficazes em pacientes com dispepsia funcional refratária a outras terapias.
As abordagens incluem inibidores da bomba de prótons (IBP), procinéticos, erradicação de H. pylori (se positivo) e, em casos refratários, neuromoduladores como os antidepressivos tricíclicos.
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