Dispepsia Funcional: Manejo em Pacientes Sem Sinais de Alarme

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2022

Enunciado

Homem, 32 anos, comparece a consulta queixando de plenitude pós-prandial e saciedade precoce há 3 meses. Nega perda de peso, vômitos, dor epigástrica ou alteração na cor ou consistência das fezes. Exame físico sem alterações. A conduta mais adequada para este paciente é:

Alternativas

  1. A) Iniciar inibidor da bomba de prótons para tratar síndrome dispéptica.
  2. B) Prescrever procinético para tratar síndrome dispéptica.
  3. C) Iniciar IBP e procinético e solicitar endoscopia digestiva alta.
  4. D) Solicitar endoscopia digestiva alta e prescrever IBP.

Pérola Clínica

Dispepsia funcional (sem sinais de alarme) → iniciar procinético ou IBP, sem EDA inicial em < 60 anos.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sintomas de dispepsia funcional (síndrome de desconforto pós-prandial) sem sinais de alarme (perda de peso, vômitos, disfagia, sangramento, anemia, idade > 60 anos). Nesses casos, a conduta inicial em pacientes jovens (< 60 anos) é empírica, com inibidores da bomba de prótons (IBP) ou procinéticos, sem necessidade de endoscopia imediata. Procinéticos são particularmente úteis para plenitude e saciedade precoce.

Contexto Educacional

A dispepsia é uma síndrome comum, definida como dor ou desconforto centrado na parte superior do abdome. Afeta uma parcela significativa da população e é um motivo frequente de consulta médica. A distinção entre dispepsia orgânica e funcional é crucial para o manejo adequado. A dispepsia funcional é diagnosticada pela presença de sintomas dispépticos crônicos (plenitude pós-prandial, saciedade precoce, dor epigástrica ou queimação) na ausência de doença estrutural que possa explicá-los, após investigação. Em pacientes jovens (< 60 anos) sem sinais de alarme, a conduta inicial é o tratamento empírico, seja com IBP ou procinéticos, visando aliviar os sintomas. Para pacientes com sintomas como plenitude pós-prandial e saciedade precoce, os procinéticos (como domperidona ou bromoprida) são frequentemente a primeira escolha, pois atuam melhorando a motilidade gástrica. A endoscopia digestiva alta é reservada para pacientes com sinais de alarme ou aqueles que não respondem ao tratamento empírico inicial, ou ainda para pacientes com idade superior a 60 anos no início dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alarme que indicam a necessidade de endoscopia digestiva alta imediata em casos de dispepsia?

Sinais de alarme incluem perda de peso inexplicada, vômitos persistentes, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), anemia por deficiência de ferro, massa abdominal palpável ou idade > 60 anos no início dos sintomas.

Qual a diferença entre dispepsia funcional e dispepsia orgânica?

Dispepsia orgânica é quando há uma causa estrutural ou bioquímica identificável (ex: úlcera, esofagite). Dispepsia funcional é quando os sintomas persistem após investigação e exclusão de causas orgânicas, sendo um distúrbio da interação cérebro-intestino.

Quando os procinéticos são preferíveis aos IBPs no tratamento empírico da dispepsia?

Procinéticos são mais indicados quando os sintomas predominantes são plenitude pós-prandial, saciedade precoce e náuseas, sugerindo um distúrbio da motilidade gástrica. IBPs são preferíveis para dor epigástrica e queimação, que indicam um componente ácido.

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