HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Mulher, de 54 anos de idade, previamente hígida, comparece ao ambulatório com queixa de dispepsia. Ela se queixava de dor epigástrica contínua, de forte intensidade (7/10) e que piorava com a alimentação, gerando restrição importante da ingesta alimentar. Durante a investigação foi detectado H. pylori, sem outras alterações na endoscopia digestiva alta. Este foi tratado e apresentou controle de cura adequado. Após isto, fez tratamento com omeprazol 20mg pela manhã por mais 12 semanas. Contudo, manteve os mesmos sintomas. Hoje retorna em consulta para seguimento de tratamento. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta que deve ser adotada nesse momento?
Dispepsia persistente pós-erradicação H. pylori e IBP, sem causa orgânica → Dispepsia Funcional. Amitriptilina pode ser opção.
Diante de uma dispepsia persistente após erradicação de H. pylori e uso adequado de IBP, com endoscopia normal, o diagnóstico mais provável é dispepsia funcional. Nesse cenário, o tratamento pode envolver neuromoduladores como a amitriptilina em baixas doses, que atuam na modulação da sensibilidade visceral.
A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, caracterizada por dor ou desconforto na região epigástrica. Quando não há uma causa orgânica identificável após investigação (incluindo endoscopia digestiva alta), o diagnóstico de dispepsia funcional é estabelecido, de acordo com os Critérios de Roma IV. Esta condição afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico de dispepsia funcional é de exclusão. É crucial investigar e descartar causas orgânicas como úlcera péptica, doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), infecção por H. pylori, doenças biliares ou pancreáticas, e uso de medicamentos. No caso apresentado, a erradicação do H. pylori e o tratamento com omeprazol por 12 semanas sem melhora, com endoscopia normal, reforçam o diagnóstico de dispepsia funcional. O manejo da dispepsia funcional é desafiador e individualizado. Inicialmente, podem ser utilizados inibidores da bomba de prótons (IBP) ou procinéticos. Para casos refratários ou com dor proeminente, os neuromoduladores, como os antidepressivos tricíclicos (ex: amitriptilina em baixas doses), são uma opção eficaz. Eles atuam modulando a percepção da dor visceral e a motilidade gastrointestinal, oferecendo alívio sintomático onde outras terapias falharam.
A dispepsia funcional é diagnosticada pela presença de um ou mais sintomas (plenitude pós-prandial, saciedade precoce, dor epigástrica ou queimação epigástrica) por pelo menos 3 meses, com início há 6 meses, na ausência de doença estrutural que explique os sintomas após investigação (incluindo endoscopia).
Os antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina em baixas doses, são considerados para pacientes com dispepsia funcional refratária às terapias de primeira linha (como IBP) ou quando há sintomas de dor proeminentes, atuando na modulação da sensibilidade visceral e na motilidade gastrointestinal.
A erradicação do H. pylori é importante porque a infecção pode causar dispepsia. No entanto, se os sintomas persistirem após a erradicação e o uso de IBP, e a endoscopia for normal, a dispepsia funcional se torna o diagnóstico mais provável.
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