Dispepsia Funcional: Diagnóstico e Manejo Eficaz

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 18 anos, branca, estudante, refere dor epigástrica de fraca intensidade, sem relação com alimentação, que piora quando está nervosa ou briga com o namorado, há 10 meses. Não apresenta melhora com uso de inibidores de bomba de prótons. A paciente não fuma e nem ingere bebidas alcoólicas. O exame físico normal. Foi realizada uma endoscopia digestiva alta que evidenciou gastrite enantemática leve de antro.O diagnóstico mais provável e a conduta apropriada são:

Alternativas

  1. A) dispepsia funcional – acompanhamento psicológico.
  2. B) doença ulcerosa péptica – realizar nova endoscopia com pesquisa de H. pylori.
  3. C) gastrite crônica – erradicação empírica do H. pylori.
  4. D) doença do refluxo gastroesofágico – realizar phmetria.
  5. E) hérnia de hiato – dobrar a dose do inibidor de bomba de prótons.

Pérola Clínica

Dor epigástrica crônica, sem relação com alimentação, piora com estresse, IBP ineficaz, EDA normal → Dispepsia funcional.

Resumo-Chave

A dispepsia funcional é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por sintomas dispépticos crônicos sem causa orgânica identificável. A falha na resposta a IBP e a relação com fatores psicossociais (estresse) são fortes indicativos, mesmo com achados leves na EDA que não justificam os sintomas.

Contexto Educacional

A dispepsia funcional é uma condição gastrointestinal comum, caracterizada por sintomas dispépticos persistentes ou recorrentes na ausência de qualquer doença estrutural ou bioquímica que possa explicá-los. Afeta uma parcela significativa da população, especialmente jovens adultos, e tem um impacto considerável na qualidade de vida. É um diagnóstico de exclusão, exigindo uma investigação cuidadosa para afastar outras patologias. A fisiopatologia da dispepsia funcional é multifatorial e complexa, envolvendo alterações na motilidade gástrica, hipersensibilidade visceral, disfunção autonômica, fatores psicossociais (estresse, ansiedade, depressão) e, possivelmente, disbiose intestinal. O diagnóstico baseia-se nos critérios de Roma IV e na exclusão de causas orgânicas por meio de exames como a endoscopia digestiva alta, que na maioria das vezes será normal ou com achados leves e inespecíficos. O tratamento da dispepsia funcional é desafiador e individualizado. Inclui modificações no estilo de vida, dieta, procinéticos, antidepressivos em baixas doses e, crucialmente, abordagens não farmacológicas como o acompanhamento psicológico. A falha na resposta a inibidores de bomba de prótons, como no caso da questão, reforça a necessidade de considerar a natureza funcional da condição e explorar terapias adjuntas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de dispepsia funcional?

Os critérios de Roma IV incluem um ou mais dos seguintes sintomas por pelo menos 3 meses (com início há 6 meses): plenitude pós-prandial, saciedade precoce, dor epigástrica ou queimação epigástrica, na ausência de doença orgânica que explique os sintomas.

Por que a endoscopia digestiva alta é importante no diagnóstico da dispepsia funcional?

A EDA é crucial para excluir causas orgânicas dos sintomas dispépticos, como úlceras, esofagite grave ou neoplasias. Na dispepsia funcional, a EDA geralmente é normal ou revela achados inespecíficos e leves.

Qual o papel do acompanhamento psicológico no tratamento da dispepsia funcional?

O acompanhamento psicológico, como a terapia cognitivo-comportamental, é fundamental, pois fatores psicossociais como estresse e ansiedade podem exacerbar os sintomas e influenciar a percepção da dor em pacientes com dispepsia funcional.

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