CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020
Jovem, 25 anos, comparece à consulta com queixa de saciedade precoce e plenitude pós-prandial. Relata recorrência desse quadro há mais de 3 meses. Refere uso de antiácidos sem melhora significativa dos sintomas. Nega queimação epigástrica, emagrecimento, sinais de sangramento digestivo ou histórico de câncer. Relata estar terminando sua graduação, na fase de elaboração do trabalho de conclusão, por isso, tem se alimentado mal e aumentado a ingesta de café. Exame físico normal, com leve dor a palpação em epigástrio. Segundo as recomendações do ROMA IV, a conduta mais adequada para este jovem seria:
Dispepsia funcional (PDS) sem sinais de alarme → Mudanças de estilo de vida + procinéticos.
A dispepsia funcional, especialmente a Síndrome de Desconforto Pós-prandial (PDS), é diagnosticada por critérios de Roma IV na ausência de doença estrutural. O manejo inicial inclui modificações dietéticas e procinéticos, antes de considerar IBP ou EDA em casos selecionados.
A dispepsia funcional é um distúrbio gastrointestinal funcional comum, caracterizado por sintomas dispépticos crônicos na ausência de uma causa orgânica identificável. De acordo com os Critérios de Roma IV, ela é subdividida em Síndrome de Desconforto Pós-prandial (PDS), com saciedade precoce e plenitude pós-prandial, e Síndrome de Dor Epigástrica (EPS), com dor ou queimação epigástrica. É uma condição prevalente que afeta significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O diagnóstico da dispepsia funcional é clínico, baseado nos Critérios de Roma IV, após exclusão de doenças estruturais. Em pacientes jovens (<60 anos) sem sinais de alarme (ex: emagrecimento, disfagia, sangramento), a investigação inicial não requer endoscopia digestiva alta. A fisiopatologia envolve uma combinação de fatores, como dismotilidade gástrica, hipersensibilidade visceral, infecção por H. pylori, fatores psicossociais e alterações na microbiota intestinal. O manejo inicial da dispepsia funcional sem sinais de alarme foca em modificações do estilo de vida e dieta, como fracionamento das refeições, redução de gorduras e cafeína. Para alívio sintomático, os procinéticos são a primeira linha de tratamento para a PDS, enquanto os inibidores da bomba de prótons (IBP) são mais indicados para a EPS. A endoscopia é reservada para pacientes com sinais de alarme ou falha terapêutica após um período de tratamento empírico.
A PDS é caracterizada por saciedade precoce (incapacidade de terminar uma refeição de tamanho normal) e plenitude pós-prandial (sensação incômoda de estômago cheio após uma refeição normal), que ocorrem pelo menos 3 dias por semana nos últimos 3 meses.
A endoscopia digestiva alta é indicada em pacientes com dispepsia que apresentam sinais de alarme, como emagrecimento inexplicado, disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal, anemia, vômitos persistentes, massa abdominal palpável ou idade avançada (>60 anos).
Os procinéticos atuam acelerando o esvaziamento gástrico e melhorando a motilidade gastrointestinal, sendo eficazes no alívio de sintomas como saciedade precoce e plenitude pós-prandial em pacientes com dispepsia funcional, especialmente na PDS.
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